Outros / Other

Obs.: Nesta seção, são listados pôsteres, comunicações, apresentações em Powerpoint, resumos, etc. (This section lists posters, communications, powerpoint presentations, abstracts, etc.)

2009

  1. Andrade, A. "The clitic climbing-information structure connection". Linguistic Evidence 11-13 fevereiro de 2010. Karls Eberhard Universitaet Tuebingen - Alemanha.
  2. Andrade, A. "A subida de clíticos na história do português europeu: mudança e continuidade". Comunicação Coordenada “A aliança entre abordagens quantitativas e perspectivas formais: repercussões sobre o estudo das mudanças gramaticais do português", I Congresso Internacional de Linguística Histórica - Homenagem a Rosa Virginia Mattos e Silva, 2009, Salvador. 26-29/07/2009.
    A subida de clíticos (do inglês clitic climbing) é um fenômeno em que um clítico selecionado por um verbo não-finito ocorre junto a um verbo finito pertencente a um grupo limitado de predicados de alçamento ou controle e determinados predicados causativos e perceptivos, como em Eu não lhe posso explicar que pasto dão aos ouvidos dos circunstantes. (próclise ao verbo finito - António da Costa, séc. XVIII) e Quisestes-me matar, porém sem outro fim que o de tornar-vos famoso. (ênclise ao verbo finito - Cavaleiro de Oliveira, séc. XVIII). Nesta comunicação serão abordadas duas questões que se apresentam no estudo da subida de clíticos na história do Português Europeu: a mudança, ocorrida no século XVI, de um sistema com subida obrigatória para outro com subida opcional; e a permanência das características gerais do fenômeno, não obstante a mudança para um sistema de ênclise não-marcada, ocorrida no século XVIII, segundo Galves, Britto & Paixão de Sousa (2005). A metodologia utilizada consistiu na seleção de dados em sentenças em que a reestruturação fosse possível em dois corpora: Corpus do Português Histórico Tycho Brahe (25 textos dos séculos XVI a XIX) e outro coletado manualmente (4 textos do século XX). A classificação dos dados levou em consideração a colocação do clítico como variável dependente, e outros 6 grupos de fatores. O quadro teórico consiste na perspectiva gerativista para a mudança diacrônica, combinando a visão de competição de gramáticas de Kroch (1989) à teoria formal de gramaticalização de Roberts & Roussou (2003). Para o tratamento da mudança, aplico a hipótese de que a perda da subida de clíticos obrigatória teria envolvido uma gramaticalização dos pronomes das línguas românicas, formalizada em termos de perda de um traço-D, de acordo com Roberts (2008). Dessa forma, teria havido a mudança de um sistema de clíticos de segunda posição para outro em que os pronomes ficam na esfera do verbo. No que tange à continuidade entre as percentagens de ênclise e próclise ao verbo finito, explora-se a hipótese de que a gramaticalização que não envolve uma mudança paramétrica pode gerar variação com efeitos de longo prazo, em parte devido à ocorrência de resquícios diacrônicos, pois os itens lexicais relevantes são necessariamente afetados em todos os contextos. Por outro lado, a permanente opcionalidade da subida de clíticos pode estar ligada à existência de distinções sociais atribuídas às variantes, como parece ser o caso, dada a correlação entre maior subida de clíticos e o registro informal (cf. Davies 1995 e Andrade 2008). Em suma, buscar-se-á comparar os resultados de Galves, Britto & Paixão de Sousa (2005) aos resultados obtidos nesta pesquisa, a fim de mostrar que, enquanto a colocação de clíticos em domínios independentes envolveu uma mudança paramétrica, em domínios não-finitos teria ocorrido uma gramaticalização que simplificou os traços formais dos clíticos, sem os efeitos de competição de gramáticas, portanto. Assim, não haveria contradição entre a datação da mudança relativa à perda da obrigatoriedade da subida de clíticos face à periodização presente em Galves, Namiuti & Paixão de Sousa (2006).
  3. Andrade, A. A morfossintaxe de clíticos de predicados complexos do português europeu. Painel no Encontro do GT de Teoria da Gramática da Anpoll. Brasilia, 26-27/11/2009

    O trabalho proposto visa apresentar uma derivação para a posição e colocação de clíticos em contexto de “reestruturação” (cf. Rizzi 1982), tendo em consideração dados do Português Europeu contemporâneo obtidos via estudo quantitativo e via testes de intuição com falantes nativos. Tem-se por base a proposta de Roberts (a sair) e Galves & Sandalo (a sair). A primeira considera a cliticização de forma paralela ao deslocamento de objeto (object shift) de línguas escandinavas e relaciona esse pressuposto a uma estrutura mono-oracional para os contextos de “reestruturação”. O segundo trabalho, desenvolvido a partir do aparato teórico da Morfologia Distribuída (Halle & Marantz 1993), defende que a ênclise é derivada via rebaixamento (lowering) do clítico situado em uma categoria F para a direita de T. Essa operação pós-sintática é a mesma que deriva o Affix Hopping da morfologia de Tempo no inglês para o Verbo (cf. Embick & Noyer 2001). A motivação para esse movimento é a impossibilidade de o clítico ser o primeiro elemento da fase CP. Nosso objetivo específico será, no entanto, mostrar que uma restrição semelhante pode ser defendida para a ênclise em infinitivas de reestruturação, se considerarmos que a fase vP também manifesta a mesma restrição. Implicações para os diversos padrões de colocação de clíticos nos levarão a considerar assunções específicas a respeito da sintaxe dos infinitivos e de partículas infinitivas nesse contexto.

    Referências

    Embick, David & Noyer, Rolf. (2001) Movement Operations after Syntax. Linguistic Inquiry 32:4, p. 555-595.
    Galves, Charlotte & Sandalo, Filomena. (a sair) From Intonational Phrase to Syntactic Phase: the grammaticalization of enclisis in the history of Portuguese. Manuscrito. Universidade Estadual de Campinas.
    / Halle, Morris & Marantz, Alec. (1993) Distributed morphology and pieces of inflection. In: Hale, Kenneth; Keyser, Samuel Jay (eds.) The View from the Building 20: Essays in Honor of Sylvain Bromberger. Cambridge, MA: MIT Press, p. 111-176.
    Rizzi, Luigi. (1982) A restructuring rule. In: Issues in Italian Syntax. Dordrecht: Foris, 1982.
    Roberts, Ian G. (a sair) Agreement and Head Movement: Clitics, Incorporation and Defective Goals. Manuscrito. University of Cambridge.

  4. Andrade, A. “A subida de clíticos na construção de "união de orações" do português clássico” XV Encontro de Teses em Andamento (SETA). Campinas. 1-3 /12/2009

    A subida de clíticos, fenômeno ocorrente em diversas línguas românicas, tem sido estudada a partir de duas construções diferentes, a “reestruturação” e a “união de orações”. Na reestruturação, um clítico referente ao objeto de um verbo não-finito aparece junto a um verbo regente, de alçamento ou de controle de sujeito – cf. (1). Na “união de orações” o verbo regente é causativo ou perceptivo. Sob o rótulo “união de orações”, incluem-se, a rigor, duas construções: “fazer-infinitivo”, em que o causado (sujeito do infinitivo) é realizado como acusativo ou dativo, respectivamente se o infinitivo é intransitivo ou transitivo – cf. (2); e “fazer-por”, em que o causado é realizado por um oblíquo iniciado pela preposição por (ou de), semelhantemente a uma passiva – cf. (3). Quadro teórico. A pesquisa partiu de análises da construção de “união de orações” apresentadas na Perspectiva de Princípios e Parâmetros (Kayne 1975, inter alia), como também da perspectiva formal para a mudança linguística (e.g. Roberts 2007). Para o estudo quantitativo, seguimos os pressupostos da linguística de corpus (McEnery & Wilson 2001). Objetivos. Deseja-se descrever o fenômeno de subida de clíticos no contexto denominado de “união de orações” no português clássico (séculos XVI a XIX), assim como a natureza da variação aí encontrada, e identificar as diferenças que esse fenômeno apresenta face à construção de “reestruturação”, estudada em fase anterior da pesquisa, a fim de verificar se ambas podem receber uma análise unificada. Metodologia. Foi levantada a literatura de base sobre subida de clíticos e sobre a construção de “união de orações”, a fim de identificar hipóteses de variação e mudança. Em seguida, foram coletadas sentenças de 25 textos pertencentes ao Corpus Tycho Brahe, com auxílio de scripts em Perl, que instanciassem um clítico pronominal (nas várias posições disponíveis), um verbo causativo (fazer, deixar ou mandar) seguido de um verbo infinitivo. Para a tarefa de seleção dos dados, desconsideramos dados com clítico se, como em fazer-se entender e dados com clíticos correspondentes ao causado, pois nesse caso a subida do clítico é obrigatória – cf. (4). Após a classificação das sentenças de acordo com a variável dependente “posição e colocação do clítico” e mais cinco variáveis independentes (contextos de colocação de clíticos, verbo regente, coesão da sequência verbal, morfologia do clítico e função gramatical do clítico), foi utilizado o software Goldvarb para a obtenção de quantificações. Resultados. No corpus coletado, os clíticos variam entre pré- ou pós-verbais ao verbo causativo, sendo exíguos os casos de não-subida (ou seja, de ênclise ao verbo infinitivo). Outra observação digna de nota é a diminuição do uso da “união de orações”, especialmente da primeira para a segunda metade do século XVI. Em ambos esses aspectos, notam-se diferenças face à “reestruturação”, visto que os casos de não-subida são muito mais significativos; além disso, não há diminuição significativa no uso da referida construção. Discussão. De acordo com Gonçalves & Matos (2001), no português europeu atual a construção “fazer-por” não é mais encontrada, e “fazer-infinitivo” se limita ao uso com cliticização do causado (sendo marginais os casos em que o causado é realizado por um DP pleno). De fato, os casos de “fazer-por” em autores nascidos no século XIX são bastante exíguos. Pode ser, no entanto, que uma reanálise do papel temático do oblíquo de causador a instrumento, e da função gramatical do clítico de objeto verbal a reflexivo, especialmente com os verbos mandar e deixar, que apresentam outras regências com significado não-causativo, respectivamente: “enviar” e “largar”. A diminuição do uso da “união de orações”, no entanto, parece estar diretamente relacionada à competição entre o uso do infinitivo não-pessoal, requerido pela construção em causa, e os infinitivos com sujeito não-especificado (pessoal ou flexionado). A alternativa de uso do infinitivo pessoal pode ser verificada na chamada construção de “marcação excepcional de Caso” (ECM, em inglês), em que há um sujeito especificado que recebe Caso acusativo do verbo causativo, numa construção bioracional. Já o infinitivo flexionado licencia um sujeito com Caso nominativo, licenciado pela flexão aí existente. De acordo com Martins (2006) o uso do infinitivo flexionado sofre um aumento desde o português antigo. Uma grande quantidade de dados como em (5) sugerem que havia uma ambiguidade entre a construção ECM e “união de orações”, o que deve ter contribuído para a reanálise. Conclusão. Apesar de compartilharem a subida de clíticos, os dados levantados nos levam a pensar que o mecanismo formal que gera esse fenômeno não é o mesmo nas construções de “reestruturação” e de “união de orações”. A competição com infinitivos com sujeito especificado parece sugerir que a estrutura para essa última construção seja bioracional, enquanto a “reestruturação” seria mono-oracional. Consequentemente, propostas para a mudança nos infinitivos em termos de ambiguidade estrutural generalizada como a de Martins (2004) podem ser questionadas, pois se baseiam no pressuposto que a estrutura dos infinitivos e o mecanismo que gera a subida de clíticos são paralelos nas duas construções.

    (1) subida com “reestruturação”: Quando nos queremos dar por uma bondade sem exemplo, dizemos, que não temos malícia alguma (Aires, n.1705)
    (2) subida com “fazer-infinitivo”: E , se isto pode ser louvável , eu o deixo julgar aos desapaixonados inteligentes. (Verney, n.1713)
    (3) subida com “fazer-por”: porque, mandando-lhe dar polo seu tesoureiro vinte cinco mil escudos, [...] lhe mostrou aquela quantidade de dinheiro sôbre uma mesa... (Lobo, n.1579)
    (4) obrigatoriedade da “união de orações” com clítico causado: e a inveja que a acompanha, só lhe faz notar com aversão os bens dos outros... (Aires, n.1705)
    (5) ambiguidade entre “marcação excepcional de Caso” e “união de orações”: O rei mandou-os formar diante de si, e perante a multidão enorme condecorou-os e abençoou-os a um por um sob uma trovoada de palmas e de vivas,... (Ortigão, n.1836)

    Referências

    Gonçalves, Anabela. & Duarte, Inês. Construções causativas em Português europeu e em Português do Brasil. Actas do XVI Encontro da Associação Portuguesa de Linguística. Lisboa: APL, 2001.
    Kayne, Richard. French syntax: the transformational process. Cambridge, MA: MIT Press, 1975.
    Martins, Ana Maria. Ambiguidade estrutural e mudança linguística: A emergência do infinitivo flexionado nas orações complemento de verbos causativos e perceptivos. In: Brito, Ana Maria; Figueiredo, Olívia & Barros, C. (eds.) Linguística Histórica e História da Língua Portuguesa: Actas do Encontro de Homenagem a Maria Helena Paiva. Porto: Secção de Linguística do Departamento de Estudos Portugueses e de Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, p. 197-225.
    Martins, Ana Maria. Aspects of the infinitival construction in the history of Portuguese. In: Gess, Randall S. & Arteaga, Deborah (eds.) Historical Romance Linguistics: Retrospective and Perspectives. Amsterdam & Philadelphia: John Benjamins, 2006, p. 327-355.
    McEnery, Tony & Wilson, Andrew. Corpus Linguistics. 2.ed. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2001.
    Roberts, Ian. Diachronic Syntax. Cambridge: Cambridge University Press, 2007.

  5. Antonelli, A. “V-movement, EPP-checking, and Left Periphery in Classical Portuguese”, XXXV Incontro di Grammatica Generativa, Siena, 26 a 28 de fevereiro de 2009.

    In root declarative clauses, Classical Portuguese (ClP) allowed a kind of subject-verb inversion similar to what is found in Verb-second (V2) languages. This fact can be seen in the examples below, where I compare ClP with Modern Dutch, a typical V2 language.

             (1) a.  Esta   casa   possuio  êste  homem muitos anos, (Couto, 1542)        (ClP)
                     This   house  owned    this  man   many   years
                     ‘This man owned this house many years’.
                 b.  Sôbre  Lopo Ramires escreve  o   senhor Embaixador, (Vieira, 1608)
                     About  L.   R.      writes   the sir    Embassador
                     ‘Sir Embassador writes about L. R.’.
             (2) a.  den  Haag  bezoek  hij.                     (Modern Dutch)
                     The  Hague visits  he
                     ‘He is visiting the Hague’.
                 b.  in den Haag  bezoek  hij  het museum
                     in the Hague visits  he   the museum
                     ‘He is visiting the museum in The Hague’.
             

    At first this similarity could be explained by assuming that ClP is also a V2 language with obligatory verb movement to C0 and XP-fronting to Spec of CP (den Besten 1983). When the XP raised is other than the subject, the verb would necessarily be in a higher position than that occupied by the subject, deriving the VS word order of the examples in (1). However the hypothesis that ClP was a Verb-second language poses the following challenge: how to explain the licensing of attested V1 and V3 sentences, as shown in (3) and (4) respectively, given that, in strict V2 languages, these alternative word orders are not allowed in declarative independent clauses?

             (3) a.  Tiveram estas náos  boa  viagem  até  o   Reino. (Couto, 1542)
                     Had     these ships good journey to   the Kingdom
                     ‘These ships had a good journey to the Kingdom’.
             (4) a.  e     nos    verbos a   mesma troca  fazem    os  tempos e   modos, (Oliveira, 1507)
                     and   in-the verbs  the same  change make-3pl the tenses and moods
                     ‘and tense and mood make the same change in verbs’.
             

    In view of the above facts, my main goal is to try to explain the mixed Verb-second nature of ClP: on the one hand there is subject-verb inversion just like V2 languages, but on the other hand the linear constraint is not obligatory. Following Roberts (2004, 2005), where it is assumed that, in matrix clauses of Verb-Second languages, the finite verb is always moved to Fin, the lowest head in the split-C system proposed by Rizzi (1997), I will argue that, concerning verb movement, ClP is identical to strict V2 languages. The crucial difference would be related in how the EPP is satisfied in the left periphery of the sentence, accepting that the obligatory XP-movement into the CP domain that makes up part of the traditional V2 phenomenon is a consequence of the EPP (cf., among others, Chomsky 2000, 2001; and Roberts and Roussou 2002). In languages where the Verb-second linear constraint is operative, the EPP is checked through obligatory XP-fronting to Spec of FinP. Concerning the ban on XP-movement to higher Specifier positions, this could be explained in Roberts’ terms: since XP-movement to Spec of FinP in full V2 languages is movement caused only by Fin’s EPP feature, the moved XP is thus of no particular type in terms of the typology of potential interveners, and so is able to block any type of movement. As for ClP, I will propose that the verb itself is able to satisfy Fin’s EPP feature. In a certain sense, this claim is similar to some proposals (cf. Alexiadou and Anagnostopoulou 1998; Barbosa 1995, Kato 1999) according to which verbal morphology checks Infl’s EPP in null subject languages. Here I just expand this reasonable idea to the C-system as well. Consequently Fin would not project a Specifier in ClP, given that the EPP feature would be satisfied by V-movement and not by XP-fronting. Note that, under this account, XP-raising to higher positions (Spec of TopP or FocP, in Rizzi’s system) is allowed, considering that there would not be an intervening Specifier in the domain of FinP. So V2 and V3 word orders in ClP could be straightforwardly derived. Another advantage of this proposal is that V1 sentences could also be accounted for. If there is no topic or focus feature requiring XP-movement to Specifier positions above FinP, only the verb would be raised to the left periphery, resulting in absolute verb-initial structures.

    References

    Alexiadou, A. and H. Anagnostopoulou. l998. ‘Parameterizing AGR: Word Order, V-movement and EPP checking’. Natural Language and Linguistic Theory 16: 491-539.
    Barbosa, P. 1995. Null Subjects. PhD dissertation, MIT.
    Chomsky, N. 2000. ‘Minimalist Inquiries: the Framework’. In R. Martin, D. Michaels & J. Uriagereka (eds.), Step-by-step: Essays in Minimalist Syntax in Honor of Howard Lasnik. Cambridge, Mass.: MIT Press.
    __________. 2001. ‘Derivation by Phase’. In M. Kenstowicz (ed.), Ken Hale: a Life in Language. Cambridge, Mass.: MIT Press.
    den Besten, H. 1983. ‘On the Interaction of Root Transformations and Lexical Deletive Rules’. In W. Abraham (ed.), On the Formal Syntax of the Westgermania. Amsterdam: John Benjamins.
    Kato, M. 1999. ‘Strong and Weak Pronominals and the Null Subject Parameter’. Probus 11(1): 1-31.
    Rizzi, L. 1997. ‘The Fine Structure of the Left Periphery’. In L. Haegeman (ed.), Elements of Grammar. Dordrecht: Kluwer.
    Roberts, I. 2004. ‘The C-System in Brytonic Celtic Languages, V2, and the EPP’. In L. Rizzi (ed..), The Structure of CP and IP. New York: Oxford University Press.
    __________. 2005. Principles and Parameters in a VSO Language: a Case Study in Welsh. New York: Oxford University Press.
    Roberts, I. and A. Roussou. 2002. ‘The Extended Projection Principle as a Condition on the Tense Dependency’. In P. Svenonius (ed.), Subjects, Expletives, and the EPP. New York: Oxford University Press.

  6. Antonelli, A. “Sujeitos Pós-Verbais e Movimento do Verbo na História do Português Europeu”. ", I Congresso Internacional de Linguística Histórica - Homenagem a Rosa Virginia Mattos e Silva, 2009, Salvador. 26-29/07/2009.

    À semelhança de outras línguas de sujeito nulo, o Português Europeu Moderno (PE) admite, no contexto de orações declarativas finitas, sentenças com sujeito em posição pós-verbal (VS). Essa característica é ilustrada em (1):

    (1) Leu o João o livro.

    No âmbito da Teoria de Princípios e Parâmetros em sua versão minimalista (cf., por exemplo, Chomsky 1995), há basicamente duas maneiras de derivar seqüências VS. A representação de cada uma dessas derivações é apresentada a seguir:

    (2) [CP Vi [TP Sujeitok [T’ ti [vP tk ti ... ]]]]
    (3) [TP Vi [vP Sujeito [v’ ti ... ]]]

    Em (2), tanto o sujeito quanto o verbo são alçados para fora do domínio de vP. O sujeito pára em Spec de TP, mas o verbo se move até a periferia da sentença. Já em (3), o verbo se move até T0 e lá permanece. Nessa derivação, o sujeito ficaria em Spec de vP, sua posição de base. Uma análise como a apresentada em (2) é a que se costuma assumir para as línguas V2 ou para os casos de inversão Sujeito-Auxiliar em orações interrogativas do Inglês. Já a análise em (3) é a que defende Ordóñez (1998), por exemplo, para as orações VS do Espanhol.

    Para os casos de posposição do sujeito no PE, os dois tipos acima de análise já foram propostos. Ambar (1992) defende que, nesta língua, a ordem VS é o resultado de movimento de T para C, como esquematizado em (2). Uma análise nos moldes de (3), por sua vez, é a que propõe Costa (1998, 2004).

    Neste trabalho, a fim de determinar qual das duas propostas melhor representa a estrutura derivacional de posposição do sujeito em orações declarativas finitas da gramática do PE, investigaremos o percurso diacrônico das construções VS na história do Português Europeu. A partir da análise de textos de escritores portugueses nascidos entre a primeira metade do século XVI e a primeira metade do século XIX, apresentaremos alguns fatos em torno das seqüências VS sugerindo que: i) no período que engloba os escritores nascidos até o fim do século XVII, período este que designaremos de Português Clássico (PCl), haveria movimento obrigatório de T para C em razão da natureza V2 da gramática do PCl; e ii) do século XVIII em diante, perde-se o efeito V2, e passa-se a ter alçamento do verbo apenas até T0. Nessa perspectiva, as hipóteses que defenderemos estariam em harmonia com as análises que derivam as seqüências VS do PE como resultado da permanência do sujeito in situ e de movimento do verbo, não para a periferia da sentença, mas sim até o núcleo de TP.

  7. Conceição Pinto, C.F. "Línguas românicas, línguas germânicas, movimento do verbo e efeito V2". 15º Seminário de Teses em Andamento. UNICAMP. 2009.
  8. Conceição Pinto, C.F. "O movimento do verbo em duas fases da língua espanhola". ROSAE – I Congresso Internacional de Lingüística Histórica. UFBA. 2009.

  9. Galves, C. Periodização e competição de gramáticas: o caso do português médio, I Congresso Internacional de Linguística Histórica - Homenagem a Rosa Virginia Mattos e Silva, 2009, Salvador. 26-29/07/2009.
    As propostas tradicionais de periodização do português europeu (cf. o quadro proposto por Mattos e Silva 1992, recentemente retomado por Ilari e Basso 2006) definem uma fase de transição entre o português arcaico e o português clássico, chamada por Lindley Cintra de português médio. Para esses autores essa fase de transição é entendida como uma subdivisão do português arcaico, por corresponder a uma fase da língua em que vários traços característicos do galego-português ainda se manifestam nos textos. Esta interpretação dá ao séc. 16 um valor de limite, porque é no decorrer desse século que os últimos vestígios da língua arcaica se apagam. Retomando um trabalho desenvolvido com Cristiane Namiuti e Maria Clara Paixão de Sousa, argumentarei que, do ponto de vista da dinâmica gramatical da língua portuguesa, é mais adequado considerar o português médio como subdivisão do período tradicionalmente chamado clássico - que tem a sua plena expressão nos textos seiscentistas e setecentistas. Desse ponto de vista, o principal divisor d'águas deixa de ser o séc. 16 e passa a recuar sensivelmente no tempo. Trabalhos convergentes de sintaxe (Namiuti, 2008) e de fonologia e morfologia (Cardeira, 2005) reforçam a afirmação tradicional de que o português "médio" tem seu início na segunda metade do séc. 14. Se entendemos essa fase da língua não como o fim de um período, mas o início do período subsequente, podemos situar aí a grande mudança entre o português arcaico e o português "clássico". O português médio, desse ponto de vista, pode ser entendido como o resultado de uma competição de gramáticas (Kroch, 1994). A gramática "clássica" já é a vernacular, mas entra em competição, nos textos, com a gramática de prestígio na época, a do português arcaico.
  10. Galves, C. & Z. Carneiro “Enclise na história do PB: uma mudança fracassada”. I Congresso Internacional de Linguística Histórica - Homenagem a Rosa Virginia Mattos e Silva, 2009, Salvador. 26-29/07/2009.
    Na história do português europeu (PE), a colocação de clíticos em sentenças declaratives afirmativas com verbo em segunda posição (V2), precedidas de sujeito neutro, sintagma preposicional e advérbios não modais passa de predominantemente proclítica no período clássico para obrigatoriamente enclítica na lingual moderna (Lobo, 1992; Martins, 1994; Torres-Moraes, 1995; Galves, Britto e Paixão de Sousa, 2005). No português brasileiro (PB), observa-se nos textos escritos ao longo do séc. 19, nos mesmos contextos, uma evolução semelhante de uma colocação predoinantemente proclítica para uma colocação predominantemente enclítica (Pagotto, 1992; Carneiro, 2005; Carneiro e Galves, 2006). Porém contrariamente ao que aconteceu no PE, essa evolução não se completa, mas sofre uma reversão na primeira metade do séc.20 (Pagotto, 1992), com a próclise voltando a se tornar a colocação dominante. Neste trabalho, interpretaremos os fatos do PB à luz dos modelos de competição de gramáticas de Kroch (1994, 2001) e de mudança fracassada de Postma (2008). Mostraremos que nos textos escritos no Brasil se instanciam duas competições de gramáticas distintas, num primeiro momento a competição entre o PCl e o PE, que leva ao aumento da ênclise, e num segundo momento, a competição entre o PE e o PB, que se traduz pela volta da próclise. Rediscutiremos a quantificação de dados no quadro do modelo da mudança fracassada, e argumentaremos que a história do PB é um laboratório dos mais instigantes para as teorias de mudança linguística.
  11. Galves, C. & F. Sandalo “Changes in clitic-placement in the history of European Portuguese: a case of grammaticalization?” Going Romance 23, Nice, 3-5/2009.

    Between the 17th and the 19th century, clitic placement in European Portuguese tensed sentences underwent important changes with respect to the contexts in which pronominal enclisis occurs (Martins, 1994; Galves, Britto and Paixão de Sousa 2005 - henceforth GBPS-): 1. in texts of authors born between the first half of the 16th century and the end of the 17th century, which corresponds to the period traditionally called « Classical Portuguese », -henceforth ClP - enclisis is categorical only when the verb is in absolute first position in the clause. In affirmative main clauses, when the verb is preceded by some phrase which does not obligatorily yields proclisis (like affective operators, quantified and focalized phrases) there is variation between enclisis and proclisis: According to what precedes the verb in the examples above, two types of variation can be observed (GBPS). When the pre-verbal element is a subject (1), an adverb (2) or a PP (3), proclisis is highly predominant, ranging from 80 to 100% according to the texts. When the verb is preceded by a coordination conjunction (4) or a dependent clause (5), enclisis is much more frequent, and there is a much greater variation between texts. Things change from the beginning of the 18th century on. Almeida Garrett, born in 1799, uses enclisis in 85% of the sentences like 1-3. 2. in Modern European Portuguese (henceforth EP), enclisis is obligatory not only when the verb is in absolute first position but also in the cases in which there was variation in ClP. In EP, all the b. sentences above are ungrammatical. In this talk, we shall propose that the change in clitic placement from ClP to EP derives from two correlated changes affecting - the nature of the domain in which the clitic is prevented from standing in first position - the nature of the operation which is responsible for the placement of the clitic on the right of the verb in enclitic structures. GBPS bring several pieces of evidence that the domain in which the clitic cannot show up in first position in ClP is the Intonational Phrase. In contrast, in EP, enclisis is not sensitive to intonational boundaries, and is required any time proclisis is not obligatory, in particular when a referential subject precedes the verb (cf. 1 above). The question of the position of pre-verbal subjects in this language is a much debated one. Many authors assume that they occupy the same position as topics, i.e are adjoined to CP (cf. Barbosa,1996, 2000, 2008; Raposo and Uriagereka, 2005, a.o.). This amounts to a linear conception of *first position*: enclisis will show up any time clitics are placed in first position in CP by the computational system. However, there are strong arguments against the claim that subjects are external to CP in EP (cf. Costa, 1998, Costa and Duarte 2003 a.o.), and the analyses which are based on this claim have trouble to derive the fact that, in contrast with other Romance languages like Spanish, subjects can occur between a WH-phrase or an affective operator and the verb. This problem is solved if the relevant domain is defined as in Ouhalla (2005, p. 619) for Berber* : *“CL cannot be the first head constituent in the minimal domain (CP, DP, or PP) that includes it.” In effect, this formulation perfectly accounts for the fact that when the clitic is preceded only by a pre-verbal subject, enclisis continues to be obligatory because no higher head is projected. In this paper, we propose that clitic-placement is a result of the syntax-morphology interface, in line with Distributed Morphology – henceforth DM. (cf. a.o Embick and Noyer, 2001). We follow Galves and Sândalo (2004) who argue that in ClP, the rule responsible for enclisis is *Prosodic Inversion*, which applies after the prosodic domains are built. In EP, however, the rule which displaces the clitic must have access to syntactic information. In the DM architecture, there is such a rule: *Lowering, *which applies before linearization occurs, *Lowering* is a rule of Merger, which affixes a morpheme standing in a head onto a word dominated by an adjacent head. *Lowering* still has access to the hierarchical structure of the clause. As a result of this analysis, we can see the change in clitic-placement as a case of grammaticalization. The traditional schema of grammaticalization includes two main moments (cf. the discussion in Askedal, 2008). The first, and crucial one, has to do the change in categorization accompanied by semantic bleaching. The second one consists in further steps of phonological dependency and reduction. Roberts and Roussou (2003) propose a generativist acccount of the first moment in terms of the emergence of new functional words out of lexical words. In their approach, grammaticalization is associated with structural simplification, which they argue is a natural mechanism of change. Here we consider the next step, which involve further phonological dependency. We show that the framework of Distributed Morphology, which proposes a view of Grammar Architecture that models up the articulation between Syntax, Morphology and Phonology, allows us to define a path of grammaticalization in terms of whether the rules responsible for the movement of morphemes access syntactic structures or not. We can therefore integrate into the generative model the further steps of the traditional approach that had remained outside Roberts and Roussou’s model.

    Barbosa, P. (1996). Clitic placement in European Portuguese and the Position of Subjects. In: A. Halpern and A. M. Zwicky, eds., *Approaching Second: Second Position Clitics and Related Phenomena*. CSLI Publications, Stanford, pp. 1-40.
    Barbosa, P. (2000). Clitics: a window into the null subject properties. In J. Costa, ed., *Portuguese Syntax – New Comparative Studies*. Oxford University Press, Oxford, pp. 31-93.
    Barbosa, P. (2008) “Deslocação local, cliticização e Spell Out cíclico”, * Diacrítica*, 22-1.
    Costa, João. (1998) *Word Order Variation: a constraint-based approach*. HIL/Leiden University.
    Costa, João and Inês Duarte 2003. “Preverbal subjects in null subject languages are not necessarily dislocated” *Journal of Portuguese Linguistics *159-176.
    Embick, D. and R. Noyer (2001) Movement operations after syntax, *Linguistic Inquiry*, 32.4: 555-596.
    Galves, C., Britto, H. and Paixão de Sousa, M. C. (2005). “The Change in Clitic Placement from Classical to Modern European Portuguese”. *Journal of Portuguese Linguistics*, 4-1, 39-67.
    Galves, C. and F. Sandalo (2004) Clitic-placement in Modern and Classical Portuguese. *MIT Working Papers* *in Linguistics *47: 115-128.
    Martins, A. M. (1994). História dos Clíticos no Português. Ph.D. dissertation, Universidade de Lisboa, Lisboa.
    Martins, A.M. (2005) "Clitic Placement, VP-ellipsis and scrambling in Romance". *Grammaticalization and Parametric Change*, ed. by M. Batllori, M.-Ll. Hernanz, C. Picallo, & F. Roca. Oxford & New York: Oxford University Press. 175-193.
    Ouhalla, Jamal (2005) "Clitic placement, grammaticalization, and reanalysis in Berber". In *The Oxford Handbook of Comparative Syntax*, Guglielmo Cinque and Richard Kayne (eds.), Oxford University Press.
    Raposo, E. and J. Uriagereka (2005) Clitic placement in Western Iberian: a minimalist view. In Kayne, R. and G. Cinque, eds., *The Oxford Handbook of comparative grammar*, 639-697. Oxford: Oxford University Press.
    Roberts, Ian and Anna Roussou (2003)*Syntactic Change, A Minimalist Approach to Grammaticalization*. Cambridge Studies in Linguistics 100, Cambridge University Press.

  12. Gibrail, A. “O alinhamento das fronteiras prosódica e sintática no licenciamento de estruturas de tópico com efeitos-V2 no português clássico”, TUCS, Philadelphia

    Uma das propriedades intrínsecas do português clássico, verificada junto ao Corpus Tycho Brahe, é a formação de estruturas de Topicalização de objeto com efeitos-V2, com o alinhamento das fronteiras prosódica e sintática da oração. Nessas construções, o objeto fronteado integra o sintagma intoacional da frase. O fator que define o objeto topicalizado dentro da estrutura prosódica da frase é o uso generalizado da próclise nas ocorrências com clítico (GALVES, 1995, 1998, 2004; GALVES, BRITTO & PAIXÃO DE SOUSA, 2005):

    1) Esta condição me puseram aqueles que de mi não tem lembrança, salvo para me ofenderem.(CTB-M_003_1608-1666)

    A variação de uso de estruturas de tópico com clítico disposto em ênclise é atestada nas ocorrências que licenciam o sujeito pré-verbal com a função de tópico em contraste:

    2) Elles conheciam-se, como homens, Christo conhecia-os, como Deus. (CTB-V_004-1608-1697)

    E/ou nas ocorrências que apresentam sintagmas preposicionais/adverbiais em posição préverbal.

    3) Entre as feras tomava-se com os leões, e entre os homens com os gigantes. (CTBV_ 004_1608-1697)

    Dentro das formulações de Galves, Britto e Paixão de Sousa (2005), a realização da ênclise no português clássico corresponde a sentenças de ordem V1, com o sintagma pré-verbal projetado fora do contorno intoacional da frase; sendo que, nas estruturas de adjunção, a variação da posição de realização desse pronome define o alinhamento da fronteira prosódica da oração, respectivamente, no segmento mais alto e/ou mais baixo de CP. Em reflexões semelhantes, proponho que, nas ocorrências de estruturas de tópico e/ou estruturas de adjunção com ênclise, a fronteira prosódica não coincide com a fronteira sintática da oração. Em análise centrada na proposta do CP cindido (RIZZI, 1997), postulo que, nas estruturas de Topicalização com efeitos V2, o alinhamento da fronteira prosódica está associado com Force; em contrapartida, nas ocorrências de sintagmas diferentes de objeto em posição pré-verbal em sentenças com ênclise, o alinhamento da estrutura prosódica da oração está associado com Fin. Em ambas as construções, com o clítico disposto em próclise e/ou em ênclise, o verbo flexionado é realizado em Fin. Dessa forma, a variação de uso de estruturas de tópico e/ou de adjunção de ordem superficial V2 com o sintagma pré-verbal realizado dentro e/ou fora do contorno intoacional da frase pode ser justificada em função de variações prosódicas no uso dessas construções. Antonelli (2007: 31) propõe que, nas línguas que apresentam a simetria raiz/encaixada com respeito a efeitos V2, o verbo sobe apenas até o núcleo Fin, e um constituinte pré-verbal pode ocorrer entre Force e Fin.

    A questão ainda pendente na pesquisa é explicitar, nas bases dessa hipótese, a variação de uso no português clássico de estruturas de tópico por movimento longo, tendo em conta o licenciamento nessa gramática de construções que apresentam o objeto e/ou o sujeito de oração subordinada deslocados para a posição de tópico da oração matriz, realizada sem clítíco e/ou com clítico disposto em próclise, configurando a ordem V2:

    4) A petição creo oferecerá o senhor Bispo de Ene em dia de São José, (CTB-B_003_1644-1710)
    5) e a lletra de credito do dinheiro pera a corte de Roma vos encomendo que venha lloguo cõ dilligençia, (CTB-D_001_1502-1557)

    E/ou do uso de estruturas de tópico formadas por movimento longo no contexto de orações interrogativas de ordem V3, com o objeto deslocado precedendo o sintagma-wh:

    6) Um pobre fradinho sem experiência, criado desde minino no deserto da Religião, como se havia de buscar pera governo de tanto peso? (CTB-S_001_ 1556-1632)

    Havendo, entretanto, restrição de licenciamento de estruturas de tópico no contexto de sentenças interrogativas com o sintagma topicalizado extraído de ilha-wh; ocorrendo apenas o licenciamento de Deslocada à Esquerda Clítica neste contexto:

    7) O tributo do bagaço da azeitona, quem ha que o naõ julgasse portyrannico,? (CTB-C_006_1601-1667)

  13. Gravina, A. « O Sujeito Nulo e estratégias de preenchimento do sujeito na diacronia do PB » II Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa, 2009, Évora.

    Nesse trabalho serão apresentados os resultados e as análises da distribuição do número de sujeitos nulos e sujeitos realizados (pronominais e/ou lexicais anafóricos) em textos diacrônicos do Português Brasileiro (doravante PB). O corpus montado para a pesquisa foi composto por jornais que circularam em Ouro Preto, Minas Gerais, em três períodos distintos: “O Recreador Mineiro” (1845 – 1848); “O Jornal Mineiro” (1897 – 1900) e “Tribuna de Ouro Preto” (1945 – 1948). A partir dos contextos de sujeito nulo apresentados por Maria Cristina Figueiredo Silva (1996), Marcelo Barra (2000) e Cilene Rodrigues (2004), em análises sincrônicas, foi feito um paralelo entre a sintaxe dos jornais nesse período histórico e a mudança no uso do sujeito nulo prescrita por esses autores para o PB atual. As análises dos dados levaram a conclusão de que o PB seria uma língua de sujeito nulo com contextos específicos de realização, assim nos ambientes em que há restrição de sujeito nulo, a tendência é ser usada alguma estratégia de preenchimento (pronominal ou lexical anafórica). Abaixo temos um exemplo de preenchimento que chamamos de Lexical Anafórico:

    Ex.: [] Maria Santíssima, a creatura privilegiada de Deus, desde o nascimento predestinada a ser Mãe de Jesus, não podia, pela linhagem donde descendia, ocupar um lugar desconhecido entre os mortais.

    [] A Mãe do Verbo Incarnado não seria, então a creatura humana todavia divinisada pela aureola imaculada, que a elevava acima de todas as grandezas e dignidade da terra.

    A Mãe do Verbo Incarnado = Maria Santíssima

    Essa análise foi reforçada pelos resultados quantitativos, no qual pode-se ver que o PB, nos dados históricos, sofreu uma inversão de preferência: na primeira metade do século 19 um uso preponderante de sujeitos nulos; na primeira metade do século 20, a preferência é o preenchimento do sujeito, principalmente com o uso do sujeito lexical anafórico. Para embasar nossas hipóteses e explicações a respeito da mudança das propriedades do uso do sujeito nulo ao longo do tempo, nos pautamos na teoria da Gramática Gerativa.

  14. Gravina, A. « Estratégias de Preenchimento e a Natureza do Sujeito Nulo na História do PB » Rosae - I congresso Internacional de Linguística Histórica, 2009, Salvador.
    Nesse trabalho, fomentado pelo CNPq, serão apresentados os resultados e as análises da distribuição do número de sujeitos nulos e sujeitos realizados (pronominais e/ou lexicais anafóricos) em textos diacrônicos do Português Brasileiro (doravante PB).A partir das restrições de ambientes de sujeitos nulos propostos por Figueiredo Silva (1996), Barra Ferreira (2000) e Rodrigues (2004) na sincronia, demonstrarei um paralelo entre a sintaxe dos jornais e a mudança prescrita por esses autores para o PB atual. Esses autores concordam que o PB, apesar de ter sua origem no Português Europeu (doravante PE) não corresponde à mesma língua- I dos falantes da língua de origem, ou seja, são línguas com gramáticas distintas. O uso de sujeito nulo nessas línguas seria um exemplo dessa diferença existente. O PE teria uma característica de língua “pro-drop” e o PB teria perdido a maioria dessas propriedades, sendo o sujeito nulo usado somente em alguns contextos específicos. Nesse trabalho será chamado de “Língua de Sujeito Nulo diferente” essa alteração de parâmetros no PB. O corpus para a elaboração desse trabalho consistiu dos seguintes periódicos: “O Recreador Mineiro” (1845 – 1848); “O Jornal Mineiro” (1897 – 1900) e “Tribuna de Ouro Preto” (1947 – 1950). Esses jornais circularam na cidade de Ouro Preto em Minas Gerais, em suas respectivas datas de publicação. O conjunto total do banco de dados dessa pesquisa foi de aproximadamente 150.000 palavras, totalizando quase 5.500 sentenças. Desse total, foram classificados e analisados os contextos de variação entre sujeito nulo e sujeito pronominal realizado, chegando a um total de 2.000 sentenças.Os resultados apontaram para uma competição de gramáticas, no sentido de Kroch (2001). Verificou-se a existência de uma gramática com sujeito nulo e outra com sujeito preenchido co-ocorrendo, principalmente, na segunda metade do século 19. O conceito de competições de gramáticas é essencial para se compreender a mudança lingüística, afinal toda mudança é gradual e geralmente apresenta uma forma antiga, uma forma inovadora e um momento de “transição” entre elas, ou seja, uma competição, em que ambas as formas são utilizadas pelos falantes. O quadro teórico para nossas hipóteses e explicações a respeito da mudança das construções e das alterações de suas propriedades ao longo do tempo será a Gramática Gerativa. Notou-se ainda, que os redatores dos jornais estavam fazendo uso de outras estratégias de preenchimento de sujeito, diferentes da pronominal, principalmente na primeira metade do século 20. Esse preenchimento foi feito com retomadas anafóricas lexicais, e teve um uso bastante preponderante em nossos dados. Denominei essa estratégia de Sujeito Lexical Anafórico. Concluiu-se, após essas análises, que houve uma tendência de se preencher o sujeito, evitando que essa categoria ficasse nula, seja por um pronome seja por um sujeito lexical anafórico. Esses resultados são bastante interessantes, pois revelam que mesmo se tratando de uma modalidade escrita formal (jornal), a mudança de comportamento lingüístico é atestada, demonstrando que não são apenas cartas pessoais ou textos de peças teatrais, os gêneros textuais capazes de apontar a mudança de um fenômeno lingüístico em uma língua. Os contextos discutidos em nosso trabalho indicam o caminho percorrido pelo PB para se tornar o que é hoje, uma língua de “sujeito nulo”, mas com propriedades diferente das conhecidas propriedades pro-drop estipuladas por Chomsky (1981), logo uma língua que gera grande polêmica e contribuições para o quadro gerativista.
  15. Gravina, A. « A ordem VS e restrições de sujeito nulo no PB; estudo em um corpus diacrônico ». XV Seminário de Teses em Andamento (SETA), 2009, Campinas.

    Nessa pesquisa, nosso intuito será tratar da mudança diacrônica, dentro da perspectiva da Lingüística Histórica e do quadro teórico gerativista. O eixo primordial das pesquisas na diacronia são as línguas e suas respectivas gramáticas. As línguas não são estáticas, estão continuamente alterando suas configurações estruturais ao longo do tempo e é essa dinâmica que configura o objeto de estudo da Lingüística Histórica.

    Na discussão existente na literatura gerativista, a correlação entre o aumento do preenchimento do sujeito e a diminuição da ordem VS no Português Brasileiro (PB) tem sido tomada como uma evidência suplementar da perda do parâmetro pro-drop. Em trabalhos sincrônicos, o PB é caracterizado como uma língua de sujeito nulo, mas com restrições de contextos (Figueiredo Silva 2000; Barra 2000 e Rodrigues 2004). Ou seja, o sujeito nulo só é utilizado em contextos específicos. Para esses autores, os sujeitos nulos presentes no PB seriam ambientes sintáticos de realizações específicas, que não contemplariam as categorias vazias com um pronome nulo – pro. As categorias vazias encontradas são vestígios de movimento de variáveis ou anáforas.

    No trabalho de Gravina (2008) verificou-se ao analisar textos diacrônicos de jornais brasileiros do século 19 e do início do século 20 que outras estratégias de preenchimento estavam sendo utilizadas, além dos pronomes, ou seja, outras expressões nominais anafóricas. No corpus encontrou-se três tipos de sujeitos anafóricos: a) Retomada anafórica do nome; b) Repetição e c) outro tipo de retomada anafórica. Abaixo se tem um exemplode cada classificação:

    a) Retomada anafórica do nome: retomada por algum termo sinônimo ao vacábulo anterior.
    [] Maria Santíssima, a creatura privilegiada de Deus, desde o nascimento predestinada a ser Mãe de Jesus, não podia, pela linhagem donde descendia, ocupar um lugar desconhecido entre os mortais
    [] A Mãe do Verbo Incarnado não seria, então a creatura humana todavia divinisada pela aureola imaculada, que a elevava acima de todas as grandezas e dignidade da terra
    A Mãe do Verbo Incarnado = Maria Santíssima

    b) Repetição: retomada por repetição de vocábulo;
    [] Ocupa a atenção dos presentes o Dr. Gerardo Trintade em nome da "S.A.O.P", não obstante se tratar de um orador já consagrado nossa opinião foi a de que o Dr. Gerardo Trindade desempenhou, de maneira impecavel e com grande felicidade, sua missão de orador oficial da solenidade, havendo produzido magnifica peça oratória e sendo que ao terminar referiu-se a D. Helvécio, chamando-o de pelo titulo

    c) Outro tipo de retomada anafórica: retomada do primeiro vocábulo por algum referente, como um pronome demonstrativo.
    [] Quando a lista foi apresentada a Mr. Currau, perguntou este para que era; respondeo-selhe que era para o enterro de Mr. O'Brien, escrivão

    Denominou-se como Sujeito Lexical Anafórico essa estratégia de preenchimento do sujeito.

    Nesse projeto, pretende-se analisar jornais portugueses contemporâneos aos brasileiros analisados no trabalho de Gravina (2008), com o propósito de averiguar se o fenômeno de preenchimento ocorre apenas nos textos formais brasileiros ou se o Sujeito Lexical Anafórico é uma estratégia estilística do gênero jornalístico e não se caracteriza como diferença do PB para o Português Europeu (doravante PE).

    Em relação à ordem, estudos, como os de Berlink (1989), Pilati (2002) e Kato (2003), têm discutido que o PB apresenta restrições para o uso da inversão do sujeito (VS e VOS). A inversão ocorreria apenas com determinados verbos em contextos específicos.

    Estudos sobre a ordem VS tentam explicar, entre outras questões, os diferentes comportamentos dos verbos do PB em relação à ordem VS. Esses estudos, tais como Nascimento (1984), Figueiredo Silva (1996) e Kato & Tarallo (2003), levam em consideração o fato de verbos com um só argumento estarem divididos em duas classes distintas: a dos inergativos e a dos inacusativos. Os verbos inacusativos selecionam um argumento interno e os verbos inergativos selecionam um argumento externo. Por terem como sujeitos argumentos selecionados originalmente como objetos internos, verbos inacusativos teriam maior facilidade para licenciar a ordem VS. Os inergativos por selecionarem argumentos externos não apresentariam tal facilidade, e a inversão com esses verbos poderia ser desencadeada por fatores gramaticais. Autores como Kato & Tarallo (2003) afirmam que, geralmente há um elemento à esquerda da oração, quando verbos inergativos apresentam sujeitos pós-verbais.

    Nesse projeto, o objetivo principal será analisar a realização dos contextos de inversão do sujeito em um corpus diacrônico, composto por jornais que circularam em todo século 19 e na primeira metade do século 20 no Brasil e em Portugal. Contraporemos os contextos de sujeito nulo/preenchido com as restrições de realização de sujeito nulo e com os contextos específicos de ordens VS e VOS estipulados pela literatura. Outro objetivo desse trabalho será analisar as formas de preenchimento, pois, além do preenchimento pronominal, outras estratégias foram utilizadas para preencher o sujeito, já que no PB, o uso de sujeito nulo se torna restrito com o passar do tempo, mas hipotetiza-se que no PE tal fenômeno não apresente a mesma distribuição, ou seja, o Sujeito Lexical Anafórico não se torne tão preponderante quanto se verificou na história do PB, espera-se se ver uma taxa mais constante. Nossa proposta será correlacionar essas propriedades, a fim de se levanter indícios para se conseguir formalizar a natureza do sujeito nulo e a ordem VS na diacronia do PB.

  16. Gravina, A. « Estratégias de Preenchimento do Sujeito Nulo no Português Brasileiro ». II Encontro Memorial do ICHS, 2009, Mariana.
    Neste trabalho serão apresentados os resultados e as análises da distribuição do número de sujeitos nulos e sujeitos realizados (pronominais e/ou lexicais anafóricos) em textos históricos do PB. As análises dos dados levaram à conclusão de que o PB seria uma língua de sujeito nulo com contextos específicos de realização, ou seja, uma língua de Sujeito Nulo Diferente. Para embasar nossas hipóteses e explicações a respeito da mudança das propriedades do uso do sujeito nulo ao longo do tempo, nos pautamos na teoria da Gramática Gerativa.
  17. Lopes, A. L. “A colocação de clíticos na história do Português Europeu – Entre os séculos 16 e 19”. Painel no GT de gramática da ANPOLL, UNB, 26 e 27 de novembro de 2009.
    A colocação de clíticos é um dos assuntos mais estudados da língua portuguesa. O objetivo deste trabalho é analisar a colocação de clíticos nas orações dependentes na história do Português Europeu. As orações que são o objeto deste trabalho foram retiradas de textos que compõem o corpus Tycho Brahe. Muitos foram os trabalhos com os textos deste corpus (Galves, Brito e Paixão de Sousa 2005, Galves, Namiuti e Paixão de Sousa2005; Paixão de Sousa, 2004), mas sempre priorizando a análise de orações principais (Antonelli 2005, Paixão de Sousa 2004, entre outros). Trabalhos anteriores afirmam que a próclise é categórica em orações dependentes (Martins 1994, Galves 2004), mas neste trabalho averiguou-se que as orações dependentes são um dos lugares onde a próclise é altamente predominante, mas que há ocorrência de ênclise. A partir deste ponto foi relevante identificar o contexto, e a motivação para ocorrência da ênclise nesse tipo de oração. O resultado obtido é que a ênclise em orações dependentes só ocorre quando há um elemento pesado fonologicamente (nos termos de Frota e Vigário 1998) entre a conjunção subordinativa e verbo+clítico (vcl) e que também só acontece em orações dependentes relativas, consecutivas ou completivas. E ainda foi averiguado que não há variação ao longo do tempo na colocação de clíticos em orações dependentes, ao contrário do que acontece nas orações principais (Galves, Brito e Paixão de Sousa 2005, Galves, Namiuti e Paixão de Sousa2005; Paixão de Sousa, 2004).
  18. Lopes, A. L. “A ênclise em orações dependentes na história do PE – (séc.16 a 19)” 13 SETA – IEL/Unicamp,2, 3 e 4 de dezembro de 2009.
  19. Namiuti, C. “O fenômeno da interpolação: pistas para três gramáticas na diacronia” 1º Congresso Internacional de Linguística Histórica – Rosae. Salvador-BA, 26-29 de Julho de 2009.
    A presente proposta de comunicação para a apresentação no I Congresso Internacional de Línguística Histórica visa mostar os principais resultados da investigação do fenômeno da interpolação de constituintes entre o pronome clítico e o verbo em textos portugueses de várias épocas (http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/corpus/index.html ), bem como nossa proposta de análise. Partimos do quadro delineado a partir de Kroch (1989), que salienta que, nos casos de mudança gramatical, a variação entre formas antigas e novas na linha do tempo não pode ser conceituada como uma“oscilação” produzida por uma única gramática particular. Avançamos em nossa investigação trazendo fatos importantes que corroboram a hipótese de Galves (1996) de ter havido um estágio gramatical intermediário entre o Português Antigo (séculos VIII e XIV) e o Português Europeu Contemporâneo (a partir do século 18), denominado de Português Médio por Galves (2004) (séculos XV, XVI e XVII). Atestamos que a interpolação dos constituintes do VP desaparece da produção literária no século XVI, e a não adjacência entre o complementador e o clítico se torna mais comum: a ordem‘complementador-clítico-XP-(neg)-verbo’ – (1) “quando se hos homens em ellas nom sabem, nem podem valer ...” (Galvão, 1435) – abre espaço para a ordem ‘complementador-XP-clítico-(neg)-verbo’ – (2) “que até o Prior dos Agostinhos, seu Confessor, o não pôde sofrer” (Couto, 1548). Neste mesmo século encontramos um padrão proclítico nas orações não dependentes afirmativas, e ainda, a interpolação da negação ganha novos contextos (‘não’ passa a ser interpolado em ambientes tradicionalmente considerados de variação ‘clV’/‘Vcl’) – (3) “E , pelo ElRei Dom João o III querer casar, e êle não querer, lhe não deram satisfação de seus serviços ...” (Couto, 1548). Argumentamos que a preferência pela próclise verbal nas orações matrizes nos séculos XVI e XVII está relacionada com a perda da interpolação de XPs. Também propomos que os novos contextos de interpolação da negação são derivados deste padrão proclítico. Mais tarde, na segunda metade do século XVIII e início do XIX, quando a ênclise se torna preferencial nas orações raízes ‘XP-verbo’ a interpolação da negação neste contexto desaparece. Nossa hipótese se fundamenta na proposta da existência de um sintagma funcional de polaridade na estrutura da oração – SigmaP – situado entre CP e IP (cf. Martins,1994). A gramática do português antigo teria um pronome clítico capaz de se hospedar no núcleo mais alto da estrutura frasal (C°). A estrutura com interpolação, mantendo o complementizador e o clítico adjacentes, nas orações encaixadas e a ênclise nas orações raízes estariam relacionadas com a obrigatoriedade da inversão prosódica do clítico a este núcleo. Já a gramática intermediária se caracterizaria pela perda desta propriedade de subida do clítico e do verbo a C° (o pronome clítico não sobe além de Sigma° nesta fase), perdendo assim a possibilidade de interpolar elementos diferentes da negação. Assumimos que o prenchimento do Spec de SigmaP é incompatível com a ênclise sendo a próclise a ordem das orações raízes ‘XV’, abrindo espaço para a possibilidade da interpolação da negação neste contexto. A ênclise só será licenciada em sentenças estruturalmente V1, como propõem Galves Britto e Paixão de Sousa (2005). Nesta gramática verbo e clítico se movem para Sigma° em todos os domínios (orações raízes e encaixadas). A mudança para o português europeu moderno terá lugar na reanálise da posição do verbo e dos constituintes pré-verbais. O verbo em PE não se moverá além de I°, também o clítico ficará neste domínio junto com o verbo. Spec de SigmaP se restringirá a constituintes afetivos e o sujeito pré-verbal ocupará Spec de IP.
  20. Paixão de Souza, M.C., Fábio N. Kepler e Pablo Faria. "E-Dictor: novas perspectivas na codificação e edição de corpora de textos históricos", comunicação apresentada no VIII Encontro de Linguística de Corpus, realizado na UERJ, 13 a 14 de novembro de 2009.
    This paper introduces E-Dictor, an auxiliary editing tool for codifying ancient texts in XML, for further linguistic analyses. The preliminary version of the tool (Paixão de Sousa & Kepler, 2007) came from observed needs in the building of Tycho Brahe Parsed Corpus of Historical Portuguese (CTB) and from consortium activities between CTB and PROHPOR-UFBA projects teams. The process of text edition on CTB demanded each human editor to learn not only those aspects concerning linguistics and philology, but also how to use and manipulate the XML standard. The experience in this process exposed the need for an easier way to apply the XML structure over the texts if we wanted to extend its use to different groups of editors. In terms of reliability, we concluded that the direct intervention of the editor on the XML document (and code) leads to an undesirable amount of errors which are difficult to revise and fix (due to the mixing of two layers, text content and XML code). On searching for other tools, we concluded that none of the available tools found could attend our needs. Thus, extending the use of XML annotation and turning it into a more friendly and reliable activity were the two primary motivations for the development of an annotation tool for ancient texts, providing an interface that mediates the relation between the human editor and XML code. Furthermore, the tool is intended to bring the activities of editing the text and of revising morphological annotation into the same environment. The preliminary results of its use show a decrease of at least 50% on the editing process overall time (transcription-edition-revision).

2008

  1. Abaurre, M.B. e Sandalo, F. “A vogal 'a' como segmento debucalizado em português”, comunicação apresentada no XV Congresso de la Associación de Linguística y Filologia de la América Latina (ALFAL), 18 a 21 de agosto de 2008.
  2. Andrade, A. “A corpus-based research on the history of clitic climbing in European Portuguese”. American Association for Corpus Linguistics 2008. Brigham Young University, Provo, EUA. 13-15/03/2008.
    The collocation of clitic object pronouns is a main research topic in Portuguese syntax, not only because it is a relevant criterion distinguishing the grammars of Brazilian and European Portuguese, but also in that the latter has changed in the beginning of the eighteenth century from a scenario of predominant proclisis to another in which enclisis is the non-marked option (Galves, Britto & Paixão de Sousa 2005). While previous studies have mainly dealt with independent clauses, this research focuses on embedded infinitive clauses forming a complex predicate with a finite verb, also referred to as a restructuring predicate. In this context, it is possible to find the phenomenon of clitic climbing, namely, the movement of an embedded clitic towards the domain of its matrix clause. In order to do so, we have collected data from the Tycho Brahe Historical Corpus of Portuguese, comprising texts from the sixteenth until the nineteenth century. The data were obtained automatically from 23 tagged texts by means of Perl scripts and from 2 parsed texts using the CorpusSearch software (Randall 2000). The work hypothesis consists in verifying whether the collocation of clitics in restructuring contexts follows the same principles valid in independent clauses. Therefore, the orders in (i) are expected in most obligatory proclisis contexts, while the options in (ii) should be found in variation contexts.

    (i) Clitic collocation in obligatory proclisis contexts
    a. (attractor) clitic – finite verb – infinitive verb (João não as quis enviar)
    b. (attractor) finite verb – infinitive verb + clitic (João não quis enviá-las)
    ‘John did not want to send them’

    (ii) Clitic collocation in variation contexts
    a. clitic – finite verb – infinitive verb (João as mandou apagar)
    b. finite verb + clitic – infinitive verb (João mandou-as apagar)
    c. finite verb – infinitive verb + clitic (João mandou apagá-las)
    ‘John wanted to send them’
  3. Andrade, A. “The application of clitic climbing in European Portuguese and the role of register”. Hispanic Linguistics Symposium. Université Laval, Québec, Canada. 23-26/10/2008.
    Clitic climbing consists of the manifestation of a pronominal clitic in the matrix domain, although it depends on an embedded predicate (1). This phenomenon is shared by null subject Romance languages, and is frequently described as an optional operation, varying with clitic in situ placement (2). Our aim is to describe the variation found in the application of clitic climbing in European Portuguese, with special focus on the role of register. In this respect, Portuguese is very similar to Spanish in that it shows higher climbing indices in the spoken rather than in the written register (cf. Suñer 1980 and Davies 1995 for Spanish and Davies 1997 and Magro 2004 for Portuguese). In addition to that, traditional grammars of European Portuguese, as well as to a lesser degree Spanish grammars, commend that the clitic should be placed in situ. This stigmatization of clitic climbing cannot be linked to a conservative trait, once all Old Romance languages showed obligatory clitic climbing, Portuguese included (Wanner 1986; Martins 2004). Through the retrieval of data from corpora of Classical and Contemporary European Portuguese, I compare these results with those reported in the literature regarding Spanish. Despite the similar evolution of clitic climbing in both Iberian languages, Portuguese presents less types of restructuring predicates than its neighboring language, as well as fewer climbing percentages. Special attention is given to texts written by bilingual authors during the Union of Spain and Portugal (1580-1640) and in the aftermath of its break-up. In this sense, the hypothesis is that bilingual authors show slightly higher climbing percentages than monolingual Portuguese authors.

    Examples
    (1)     Clitic climbing
        a. João as deixou de ver.
        b. João deixou-as de ver.
    (2)     Clitic in situ
        a. João deixou de as ver.
        b. João deixou de vê-las.
    ‘João stopped seeing them (fem)’
    
  4. Andrade, A. “A subida de clíticos em Português Clássico: descrição e implicações teóricas”. XXIV Encontro da Associação Portuguesa de Lingüística. Universidade do Minho, Braga, Portugal. 20-22/11/2008.
    Este trabalho discute os resultados de pesquisa sobre a subida de clíticos em Português Clássico e suas implicações para as teorias sobre formação de predicados complexos. Os dados abrangem 25 textos do século XVI ao século XIX extraídos do Corpus do Português Histórico Tycho Brahe em contexto de ocorrência de reestruturação, num total de mais de 2 mil sentenças. Para a descrição da variação, foram utilizadas sete variáveis independentes, como o contexto do complexo verbal, classes de verbos, elementos intervenientes e função gramatical do clítico. Os resultados apontaram que a colocação de clíticos em orações com predicado complexo segue os mesmos princípios válidos em orações independentes: na presença de elemento proclisador ocorre a próclise ao verbo superior (cf. (1)), enquanto na presença de verbo em primeira posição ocorre a ênclise ao verbo superior (cf. (2)). Em ambos os casos também ocorrem dados de clítico in situ, interpretados como dados em que não há predicado complexo (cf. (3)). Se analisados os contextos de variação, confirma-se a paulatina diminuição dos dados de clítico alçado em favor de dados de clítico in situ, como já apontado para outras línguas românicas por Wanner (1987) e, para o PE, por Davies (1997), entre outros.
    Os resultados mostram também que os contextos de próclise e de ênclise obrigatórias apresentam quantidades de subida de clítico díspares – respectivamente 80% e 40%. Tendo em vista a divisão de trabalhos proposta por Galves, Ribeiro & Torres Moraes (2005), segundo a qual a sintaxe determina a posição em que os clíticos são soletrados, enquanto a morfologia determina sua colocação (enclítica ou proclítica), discute-se a derivação da subida de clíticos nos moldes de uma abordagem mono-oracional (cf. Cinque 2004), e de uma abordagem de subespecificação do complemento infinitivo (cf. Martins 2000 e Gonçalves 1999).
    Com respeito à derivação da colocação de clíticos alçados, sugere-se que o movimento do clítico para a oração superior gera a próclise como opção não-marcada. Isso deixa em evidência a relação do PE com outras línguas românicas, como também permite explicar a maior freqüência da subida com próclise ao verbo superior, enquanto a ênclise é sempre uma opção marginal, com cerca de 10% do total dos dados. Quanto aos casos de ênclise, propõe-se que eles sejam derivados no nível pós-sintático, como resultado de requisitos da interface morfofonológica, na linha de trabalhos como Galves & Sandalo (2004) e Namiuti (2008).
    Em suma, busca-se ilustrar de que forma dados de corpora podem ser úteis ao trabalho em morfossintaxe teórica, no âmbito da colocação de clíticos em predicados complexos.

    Exemplos
    (1) João as deve ver.       (próclise ao verbo superior)       
    (2) João deve-as ver.       (ênclise ao verbo superior)
    (3) João deve vê-las.       (ênclise ao verbo infinitivo)
            
  5. Antonelli, A. “Posição do Verbo no Português Clássico”. 56º Seminário do Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo (GEL), 16 a 18 de julho de 2008.
    Dentre os tópicos de investigação relacionados à questão da sintaxe de posição do verbo nas línguas naturais, um dos mais abordados é o que diz respeito ao fenômeno da ordem de palavras V2, manifestado em todas as línguas Germânicas, com exceção do Inglês Moderno. Em termos puramente descritivos, este fenômeno se caracteriza da seguinte maneira: em orações matrizes, o verbo finito aparece obrigatoriamente na segunda posição superficial, sendo precedido por um XP de qualquer natureza.
    Na perspectiva teórica da gramática gerativa, a questão da posição do verbo em línguas V2 envolve uma pergunta abstrata que vai além da descrição da ordem relativa do verbo com os outros constituintes da oração, e que se coloca nos seguintes termos: em que categoria funcional se encontra o verbo nas línguas que manifestam a ordem V2? Focalizando em sua análise pioneira línguas que manifestam esse efeito em orações matrizes, mas não em subordinadas, den Besten (1983) propõe que a seqüência linear V2 seja o resultado do movimento do verbo de I para C. Como o núcleo de CP é preenchido por um complementizador em orações subordinadas, o alçamento do verbo para lá é bloqueado — o que explicaria de maneira elegante a assimetria observada entre orações matrizes e subordinadas. O constituinte inicial em orações V2 ocuparia o especificador de CP, uma posição não-temática precedendo imediatamente o verbo finito em C, explicando dessa forma a natureza genérica do XP pré-verbal. Esta proposta, contudo, não fornece uma resposta satisfatória para línguas V2 simétricas, isto é, línguas nas quais o verbo aparece em segunda posição tanto nas orações matrizes como também nas subordindas, como é o caso do Islandês. Basicamente, esse problema é resolvido assumindo-se que, em línguas V2 simétricas, o verbo finito se move até I apenas (cf. entre outros, Diesing 1988 e Santorini 1995). Em tais línguas, o constituinte precedendo o verbo ocuparia o especificador de IP. Com isso, a ordem de palavras V2 seria obtida mesmo diante da presença de um complementizador em C. Uma maneira alternativa de capturar esse mesmo fato seria propondo a existência de uma categoria funcional entre CP e IP para onde o verbo possa ser alçado e na qual estaria disponível um especificador capaz de abrigar o constituinte pré-verbal tanto das sentenças matrizes como também das subordinadas (Craenenbroeck & Haegeman 2007). Assim, a presença de um complementizador, como seria o caso das sentenças subordinadas, não impediria a derivação da ordem V2, uma vez que o licenciamento do verbo finito não se daria no domínio de CP.
    No âmbito da história do Português Europeu, tem-se sugerido que o Português Clássico também tenha sido uma gramática estruturada em termos da restrição V2, já que, a partir de indícios fornecidos pelo fenômeno de colocação de clíticos, a gramática desse período parece não manifestar uma posição pré-verbal que seja exclusiva para o sujeito (cf., por exemplo, Galves, Britto & Paixão de Sousa 2005). Em vista disso, o objetivo deste trabalho é, à luz dos pressupostos da teoria de Princípios e Parâmetros da gramática gerativa em sua versão minimalista (Chomsky 1995, 2001, 2004), investigar a possível natureza V2 da gramática clássica do Português a fim de apresentar uma proposta de mapeamento da sintaxe de posição do verbo, levando-se em consideração as análises correntes na literatura gerativista a respeito da ordem V2. Para isso, tomarei como corpus de investigação a obra Grammatica da Lingoagem Portuguesa, de Fernão de Oliveira, publicada em 1536.
  6. Antonelli, A. “A Posição do Verbo em Interrogativas QU- Diretas na História do Português Europeu”. XV Congresso de la Associación de Linguística y Filologia de la América Latina (ALFAL), 18 a 21 de agosto de 2008.
    Em Português Europeu Moderno (PE), a inversão V(erbo) S(ujeito) aplica-se obrigatoriamente em orações interrogativas QU- diretas, como exemplificado a seguir.
    (1) Como conseguiu o Pedro acabar o trabalho?
    (2) * Como o Pedro conseguiu acabar o trabalho?
             
    Desenvolvendo sua análise no quadro da Gramática Gerativa na versão LGB, Ambar (1992) propõe que a ordem VS, como em (1), resulta da permanência do sujeito em [Spec, IP] e do movimento do verbo por sobre o sujeito até o núcleo de CP. Essa análise explicaria ainda a razão de tópicos no PE ocorrerem necessariamente à esquerda de constituintes QU- (Raposo & Uriagereka 1996). A explicação é que, estando o verbo em C numa relação Spec-Head com o constituinte QU- em [Spec, CP], não haveria um especificador disponível entre esses dois constituintes capaz de abrigar sintagmas deslocados.
    Investigando textos de escritores portugueses nascidos entre os séculos XVI e XVIII, embora a ordem VS seja a opção mais empregada em interrogativas QU- diretas, registramos exemplos em que a adjacência entre o constituinte QU- e o verbo é quebrada por algum argumento do sintagma verbal, em contraste com o PE. Em vista disso, assumindo os pressupostos da versão minimalista da Gramática Gerativa (Chomsky 1995, por exemplo), apresentaremos aqui uma proposta para a derivação da ordem VS nesse período do Português, argumentando que se trata do resultado da permanência do sujeito em [Spec, TP] e do movimento do verbo não até C, como no PE, mas até o núcleo da categoria FP (no sentido de Uriagereka 1995), localizada entre CP e TP. Dada a natureza V2 da gramática desse período (Paixão de Sousa 2004), proporemos que [Spec, FP] funciona como uma posição pré-verbal V2 habilitada para hospedar sintagmas deslocados, o que explicaria os exemplos de quebra de adjacência entre um constituinte QU- e o verbo. Em Português Europeu Moderno (PE), a inversão V(erbo) S(ujeito) aplica-se obrigatoriamente em orações interrogativas QU- diretas, como exemplificado a seguir.
    (1) Como conseguiu o Pedro acabar o trabalho?
    (2) * Como o Pedro conseguiu acabar o trabalho?
             
    Desenvolvendo sua análise no quadro da Gramática Gerativa na versão LGB, Ambar (1992) propõe que a ordem VS, como em (1), resulta da permanência do sujeito em [Spec, IP] e do movimento do verbo por sobre o sujeito até o núcleo de CP. Essa análise explicaria ainda a razão de tópicos no PE ocorrerem necessariamente à esquerda de constituintes QU- (Raposo & Uriagereka 1996). A explicação é que, estando o verbo em C numa relação Spec-Head com o constituinte QU- em [Spec, CP], não haveria um especificador disponível entre esses dois constituintes capaz de abrigar sintagmas deslocados.
    Investigando textos de escritores portugueses nascidos entre os séculos XVI e XVIII, embora a ordem VS seja a opção mais empregada em interrogativas QU- diretas, registramos exemplos em que a adjacência entre o constituinte QU- e o verbo é quebrada por algum argumento do sintagma verbal, em contraste com o PE. Em vista disso, assumindo os pressupostos da versão minimalista da Gramática Gerativa (Chomsky 1995, por exemplo), apresentaremos aqui uma proposta para a derivação da ordem VS nesse período do Português, argumentando que se trata do resultado da permanência do sujeito em [Spec, TP] e do movimento do verbo não até C, como no PE, mas até o núcleo da categoria FP (no sentido de Uriagereka 1995), localizada entre CP e TP. Dada a natureza V2 da gramática desse período (Paixão de Sousa 2004), proporemos que [Spec, FP] funciona como uma posição pré-verbal V2 habilitada para hospedar sintagmas deslocados, o que explicaria os exemplos de quebra de adjacência entre um constituinte QU- e o verbo.
  7. Conceição Pinto, C. “O movimento do verbo na história do espanhol” I Simposio Internacional de Lengua Espanola, Instituto Cervantes, São Paulo, 27-28 de abril de 2008.
    A partir da assimetria entre sentenças como (1) "John often drinks[V] wine", do inglês, e (2) "Jean boit[V] souvent du vin", do francês, os estudos em gramática gerativa têm mostrado que existem várias posições que podem abrigar o núcleo verbal: o núcleo Vº, como ilustrado em (1); o núcleo Iº/Tº como ilustrado em (2); e o núcleo Cº, como acontece em línguas V2, como ilustrado em (3) "Diesen Roman las[V] ich schon letztes Jahr", do alemão. Seguindo princípios de economia, Chomsky (1993, 1995) propõe que movimento sintático tem apenas a finalidade de chegar os traços formais dos elementos e é resultante da força dos traços dos itens lexicais; assim, o movimento do verbo para cada posição dependerá da força de cada uma delas para atrair o verbo para si. Fontana (1993) propõe que o espanhol arcaico era uma língua V2 do tipo do iídiche, com V2 simétrico entre sentenças principais e subordinadas. Embora a ordem VS no espanhol moderno esteja em declínio, Zubizarreta (1998) considera o espanhol moderno uma língua V2 no mesmo sentido que o espanhol arcaico. Diante deste panorama e considerando algumas diferenças nas características sintáticas do espanhol arcaico e do espanhol atual, como as construções de clivagem, o sistema dos clíticos e a função informativa do sujeito pós-verbal, este trabalho tem como objetivos principais: (a) identificar o posicionamento/movimento do verbo em cada fase da língua espanhola – espanhol arcaico, clássico e moderno –; (b) rediscutir a questão do fenômeno V2 nas línguas humanas dentro de uma visão minimalista. As principais hipóteses de pesquisa são as de que (a) o espanhol moderno não é uma língua V2 no mesmo sentido que o espanhol arcaico tendo em vista que a ordenação XPVS, por exemplo, na atualidade, é um recurso para a focalização do sujeito e (b) é possível uma análise unificada do fenômeno V2, seja simétrico ou assimétrico, em CP, tendo que o nível CP abriga mais de um nível estrutural, a chamada “periferia fina” de Rizzi (1997). Considerando-se que, historicamente, a língua espanhola não é uma entidade lingüística homogênea, nesta pesquisa, serão analisados textos escritos, porém selecionados criteriosamente a fim de que se reflitam ao máximo a língua falada, do espanhol europeu do século XIII ao século XXI.
  8. Conceição Pinto, C. “O movimento do verbo na história do espanhol”, XIV Seminário de Teses em Andamento (SETA), 17 a 19 de Novembro de 2008, IEL-UNICAMP.
    A partir da assimetria entre sentenças como

    (1) "John often drinks wine" (com ordem S-ADV-V-O), do inglês (2) "Jean bois souvent du vin"(com ordem S-V-ADV-O), do francês

    os estudos em gramática gerativa têm mostrado que existem várias posições que podem abrigar o núcleo verbal: o núcleo Vº, como ilustrado em (1); o núcleo Iº como ilustrado em (2); e o núcleo Cº, como acontece em línguas V2, como ilustrado em

    (3) "Diesen Roman las ich schon letztes Jahr" (com ordem O-V-S-ADV-PP), do alemão

    O exemplo (3) evidencia que o verbo se moveu para Cº tendo em vista sua posição em relação ao sujeito, que deve estar em SpecIP, onde checa Caso nominativo. Seguindo princípios de economia, Chomsky (1993, 1995) propõe que movimento sintático tem apenas a finalidade de chegar os traços formais dos elementos e é resultante da força dos traços dos itens lexicais; assim, o movimento do verbo para cada posição dependerá da força de cada uma delas para atrair o verbo para si.
    As línguas V2 até então estudadas tem sido classificadas em dois grupos: a) línguas com V2 simétrico, nas quais o efeito V2 se manifesta tanto em sentenças matrizes como em subordinadas, tais como o islandês e o iídiche; b) línguas com V2 assimétrico, no qual o efeito V2 se manifesta apenas em orações principais, como algumas línguas germânicas, como o alemão e o holandês.
    Uma das análises propostas para o fenômeno V2 diz que, nas línguas simétricas, o V2 seria derivado a partir do movimento do verbo para um IP sincrético, que, ora se comporta como uma posição A, ora se comporta como uma posição A-Barra; por outro lado, nas línguas assimétricas, o fenômeno V2 é derivado a partir do movimento Vº-to-Iº-to-Cº realizado pelo verbo finito. Parece que esta é a solução encontrada para resolver o problema da competição do verbo e do complementizador pela mesma posição dentro do modelo teórico da GB.
    Fontana (1993) propõe que o espanhol arcaico era uma língua V2 do tipo do iídiche, com V2 simétrico entre sentenças principais e subordinadas. Embora a ordem VS no espanhol moderno esteja em declínio, Zubizarreta (1998) considera o espanhol moderno uma língua V2 no mesmo sentido que o espanhol arcaico.
    Diante deste panorama e considerando algumas diferenças nas características sintáticas do espanhol arcaico e do espanhol atual, como as construções de clivagem, o sistema dos clíticos e a função informativa do sujeito pós-verbal, este trabalho tem como objetivos principais:

    (a) identificar o posicionamento/movimento do verbo em cada fase da língua espanhola – espanhol arcaico, clássico e moderno –;
    (b) rediscutir a questão teórica do fenômeno V2 nas línguas humanas dentro de uma visão minimalista.

    As principais hipóteses de pesquisa são as de que:

    (a) o espanhol moderno não é uma língua V2 no mesmo sentido que o espanhol arcaico tendo em vista que a ordenação XPVS, por exemplo, na atualidade, é um recurso para a focalização do sujeito;
    (b) é possível uma análise unificada do fenômeno V2, seja simétrico ou assimétrico, em CP, tendo que o nível CP abriga mais de um nível estrutural, a chamada “periferia fina” de Rizzi (1997).

    Considerando que, historicamente, a língua espanhola não é uma entidade lingüística homogênea, nesta pesquisa, serão analisados textos escritos, porém selecionados criteriosamente a fim de que reflitam ao máximo a língua falada, do espanhol europeu do século XIII ao século XXI. Será aplicada uma metodologia quantitativa e qualitativa, considerando a ordem dos constituintes, a posição do sujeito e dos advérbios na sentença, os tipos de construções de clivagem etc. Também se considera fundamental, nesta pesquisa, fazer uma separação das sentenças marcadas das sentenças não marcadas discursivamente tendo em vista que o fenômeno V2 deve ser entendido como uma ordem básica de palavras, o que está estreitamente relacionado com as sentenças não marcadas.
  9. Fernandes-Svartman, F.R. ; Abaurre, M.B.M. ; González-López, V.A. "Acento secundário e intensidade em português brasileiro". In: VIII Encontro do CELSUL, 2008, Porto Alegre. Anais do 8º Encontro do CELSUL. Pelotas : EDUCAT, 2008, p. 1-18.
  10. Gibrail, Alba “A categoria de elemento gerado por movimento e/ou gerado na base na formação de estruturas de deslocada à esquerda clítica do português clássico”. 56º Seminário do Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo (GEL), 16 a 18 de julho de 2008
    A investigação processada junto ao Corpus Tycho Brahe do uso de estruturas de tópico no português clássico mostra que essa gramática licencia objetos interpretados como tópicos na forma de estrutura de Topicalização e/ou na forma de Deslocada à Esquerda Clítica (CLLD), havendo tendência maior de realizá-los na forma de estruturas de Topicalização em sentenças de ordem V2. Na formação dessas construções com clítico, o uso da próclise é generalizado:

    1) As vyas vos emvio per este moço d'estribeira; (CTB-D_001_1502-1557)

    A variação de uso da ênclise nas estruturas de Topicalização de ordem V2 é assinalada com sintagmas diferentes de objetos. Há o licenciamento da ênclise quando o sujeito deslocado para a posição pré-verbal carrega a função de tópico em contraste:

    2) Elles conheciam-se, como homens, Christo conhecia-os, como Deus. (CTB-V_004-1608-1697)

    Havendo também o licenciamento da ênclise em sentenças que apresentam sintagmas adverbiais/preposicionais em posição pré-verbal:

    3) E despois da informação chamava-os, metia a mão neles, por ver o que podia esperar de cada um, (CTB-S_001_1556-1632)

    O uso da ênclise assegura a categoria de adjunto do sintagma pré-verbal, definindo a ordem V1 subjacente nessas produções (GALVES, BRITTO & PAIXÃO de SOUSA, 2005).
    O português clássico licencia estruturas variantes de CLLD de ordem superficial V2 com próclise e/ou ênclise. A próclise, nessas estruturas, define a posição interna à oração de realização do objeto deslocado.

    4) que esta letra de marca de Joham Ango e todas as outras que se poderiam cõceder, as averya por Revogadas (CTB-D_001_1502-1557)

    Em contrapartida, nas ocorrências com ênclise, o objeto deslocado é realizado em posição anterior à fronteira prosódica da oração.

    5) ao austinado move-o á compunção; o mundano á penitencia; (CTB -H_001_1517-1584)

    A disposição do objeto topicalizado internamente à oração é confirmada nas ocorrências de CLLD com próclise formadas por movimento longo:

    6) e o dinheiro o mandará Vossa Excelência entregar aos donos dos navios. (CTB-V_002_1608-1697)

    Nas formulações de Galves, Britto e Paixão de Sousa (ibidem, p. 22), nas estruturas de adjunção do português clássico, a posição do clítico depende do alinhamento das fronteiras prosódica e sintática da oração. A próclise ocorre quando a fronteira intoacional da frase está associada com o segmento mais alto de CP, nesse caso, coincidindo com a fronteira sintática da oração; a ocorrência da ênclise, por seu turno, define a fronteira intoacional da frase no segmento mais baixo de CP.
    O fato ressaltado na pesquisa é a manifestação de estruturas de CLLD de ordem V3 com e/ou sem violação de ilhas. Nas ocorrências licenciadas sem violação de ilhas, o clítico é realizado em próclise:

    7) Mas o corpo do homem d'esta arte o compos a natureza (CTB -H_001_1517-1584)

    Nas ocorrências formadas em contexto de ilhas, o clítico se apresenta em ênclise:

    8) Aos clérigos que achava de boa vida e boa fama, despois de apontar o nome e lugar em que moravam, sinalava-os com um círculo de campo branco; (CTB-S_001_1556_1632)

    E/ou em próclise, em se tratando de ambientes categóricos:

    9) O tributo do bagaço da azeitona, quem ha que o naõ julgasse por tyrannico,? (CTB-C_006_1601-1667)

    A ausência, no corpus, de ocorrências de CLLD em contexto de ilhas, com o clítico disposto em próclise em ambientes não categóricos, me leva a propor que o português clássico licencia estruturas de CLLD com o objeto retomado na categoria de elemento gerado por movimento e/ou gerado na base. A questão, portanto, a ser definida, é a posição interna e/ou externa de realização do objeto nessas ocorrências, considerando a proposta de Galves, Britto e Paixão de Sousa do uso da próclise como fator que define, nas estruturas de adjunção, o alinhamento da fronteira intoacional da frase no segmento mais alto de CP; desse modo, coincidindo com a fronteira sintática da oração.
  11. Gibrail, Alba “O requerimento de efeitos V2 no licenciamento de estruturas de tópico no português clássico” XIV Seminário de Teses em Andamento (SETA), 17 a 19 de Novembro de 2008, IEL-UNICAMP.
    O levantamento de dados de estruturas de Topicalização de textos de autores portugueses nascidos nos séculos 16-17, formadores do acervo Corpus Tycho Brahe, registram a tendência do português clássico de licenciar esse tipo de construção em sentenças de ordem V2, com o sintagma pré-verbal deslocado por movimento curto para a posição de tópico interna à estrutura prosódica da oração (GALVES, 2004). A evidência empírica da posição interna à estrutura prosódica da oração ocupada pelo sintagma com a função de tópico é definida nas sentenças que dispõem de clítico em próclise; nas ocorrências com clítico disposto em ênclise, o sintagma pré-verbal é realizado em posição anterior à fronteira prosódica da frase, na categoria de um adjunto (GALVES, 1995, 2004; GALVES; BRITTO & PAIXÃO DE SOUSA, 2005). Em se tratando de estruturas de Topicalização de objeto em sentenças com clítico e verbo flexionado, os dados apresentam o uso generalizado da próclise:

    1. Semelhante instrução lhe dá o Tridentino, referindo-se a este Cartaginense.(CTB-V_002_1608-1697)

    A generalização de uso da próclise no licenciamento de estruturas de Topicalização de objeto em sentenças com clítico e, por conseguinte, a restrição de uso dessas construções com clítico disposto em ênclise são os fatores que permitem definir a posição de tópico interna à estrutura da frase do sintagma pré-verbal nas ocorrências formadas em sentenças de ordem V2 sem clítico:

    2. Esta provincia de Hiberia assentão os cosmographos em Asia, entre Colchos & Albania: (CTB-B_007_1569-1617)

    Em sentenças de ordem V2, o uso objeto de topicalizado com o clítico disposto em ênclise é atestado na forma de Deslocada à Esquerda Clítica:

    3. e os que corrião os pareos, faziam nos quasi da mesma maneira, (CTB-H_001_1517-1584)

    A propriedade do português clássico de dispor de sintagmas com a função de tópico dentro da estrutura prosódica da oração é reafirmada no licenciamento dessas construções por movimento longo. Os dados investigados apresentam estruturas de Topicalização que dispõem de constituinte de oração subordinada em posição de tópico da oração matriz, satisfazendo, na formação dessas construções, o requerimento de efeitos V2. Há o licenciamento de objeto de oração subordinada em posição de tópico interna à oração matriz, com o deslocamento de todo o material do VP encaixado:

    4. A petição creo oferecerá o senhor Bispo de Ene em dia de São José, (CTB-B_003_1644-1710)

    E/ou na forma de sintagmas descontínuos, com o deslocamento apenas de sujeito de mini-oração de sentença encaixada:

    5. Os pyllotos vos emcomendo muito que trabalheis por mãdar cõtentes o mais que poderdes, (CTB-D_001_1502-1557)

    Havendo também o licenciamento de estruturas de Topicalização de sujeito de oração subordinada que se desloca para a posição de tópico da oração matriz:

    6. O verniz cuidão alguns que é inventado n'este tempo, (CTB-H_001_1517-1584)

    Uma das evidências empíricas que permitem definir a posição de tópico interna à oração matriz desses constituintes deslocados por movimento longo é o uso do clítico em próclise nessas orações, confirmado na ocorrência em (5) e na que acrescento a seguir:

    8. e a lletra de credito do dinheiro pera a corte de Roma vos encomendo que venha lloguo cõ dilligençia, (CTB-D_001_1502-1557)

    A variação de uso de sujeito topicalizado em sentenças com clítico disposto em ênclise é verificada no contexto que dispõe desse constituinte com a função de tópico em contraste, em ambiente de paralelismo sentencial. Nessas construções, o sujeito carregando a função de tópico em contraste ocupa uma posição externa à estrutura da frase, na categoria de um adjunto (GALVES; BRITTO & PAIXÃO DE SOUSA, 2005):

    9. Elles conheciam-se, como homens, Christo conhecia-os, como Deus. (CTB-V_004-1608-1697)

    O uso do clítico em ênclise é assinalado também no licenciamento do sujeito com a função de tópico no contexto de oração interrogativa. Nessas ocorrências, o deslocamento do sujeito para a posição mais alta à esquerda, precedendo o elemento-wh, corresponderia à sua extração de dentro de ilha-wh.

    10. E essa (tornou Leornardo) ¿que fruito tirou do parentesco se não foi chamarem-lhe alguns autores bôrra da língua latina? (CTB-L_001_1579-1621)

    As ocorrências de objetos topicalizados em contexto de ilha-wh são atestadas na forma de Deslocada à Esquerda Clítica:

    11. Mas os santos e apostolos e martyres quem os quizer bem pintar, emite ao seu capitão e Nosso Salvador, (CTB-H_001_1517-1584)

    Em todas essas construções, a posição de tópico interna à estrutura prosódica da oração, ocupada pelo objeto e/ou sujeito deslocados, é assegurada em ambientes sintáticos que não violam as restrições de movimento. Em ambientes sintáticos que restringem o movimento, um outro constituinte da oração ocupa a primeira posição dentro do domínio de Comp, definindo a ordem V2 dessas construções. Considerando a propriedade do português clássico de licenciar estruturas de tópico com efeitos-V2, nas várias formas de manifestação desse fenômeno, a questão ainda não definida na pesquisa é a coexistência no corpus das formas variantes com o sintagma fronteado carregando a função de tópico em contraste, em sentenças que projetam a ordem subjacente V1.
  12. Gravina, Aline “Português brasileiro e contextos de sujeito nulo: análises e resultados em um corpus diacrónico” 56º Seminário do Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo (GEL), 16 a 18 de julho de 2008.
    Nesse trabalho, fomentado pelo CNPq, apresentaremos os resultados diacrônicos encontrados em um corpora de jornais, a respeito das mudanças das propriedades do parâmetro pro-drop (Chomsky 1981), no Português Brasileiro (doravante PB). A partir dos contextos de sujeito nulo apresentados por Maria Cristina Figueiredo Silva (1996), Marcelo Barra (2000) e Cilene Rodrigues (2004), na sincronia, iremos demonstrar um paralelo entre a sintaxe dos jornais e a mudança prescrita por esses autores para o PB atual. Os três autores, com que iremos trabalhar, concordam que o PB apesar de ter sua origem no PE não corresponde à mesma língua- I dos falantes da língua de origem, ou seja, são línguas com gramáticas distintas. E uma dessas diferenças está no contexto em que se usa sujeito nulo nessas línguas. O PE teria uma característica de língua “pro-drop” e o PB teria perdido a maioria dessas propriedades, ficando apenas alguns contextos específicos. Rodrigues (2004) utiliza o termo “Língua de Sujeito Nulo Parcial” para identificar esse contraste de contextos específicos de sujeito nulo em uma determinada língua. Nesse trabalho iremos denominar de “Língua de Sujeito Nulo diferente” essa alteração de parâmetros no PB. O corpora do trabalho é composto por três jornais: “O Recreador Mineiro” (1845 – 1848); “O Jornal Mineiro” (1897 – 1900) e “Tribuna de Ouro Preto” (1947 – 1950), estes circularam na cidade de Ouro Preto em Minas Gerais, em suas respectivas datas de publicação. Escolhemos trabalhar com esses períodos, pois acreditamos que o século XIX foi o grande marco para formação do estado-nação Brasil e conseqüentemente para a formação de uma língua nacional brasileira. Salientamos ainda que apenas com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, foi liberada a imprensa oficial na colônia. Dentro desse contexto histórico, nossos dados apontam para uma competição de gramáticas, no sentido de Kroch (2001), esse conceito é essencial para compreendermos a mudança lingüística, afinal toda mudança é gradual e geralmente apresenta uma forma antiga, uma forma inovadora e um momento de “transição” entre elas, ou seja, uma competição, em que ambas as formas são utilizadas pelos falantes. O quadro teórico para nossas hipóteses e explicações a respeito da mudança das construções e das alterações de suas propriedades ao longo do tempo será a teoria da Gramática Gerativa. O conjunto total de nosso banco de dados é de aproximadamente 150.000 palavras, totalizando quase 5.500 sentenças. Desse total, classificamos e analisamos os contextos de variação entre sujeito nulo e sujeito pronominal realizado e chegamos a um total de 2.000 sentenças. Ao olharmos para os dados, vemos claramente a diminuição dos contextos de sujeito nulo: na primeira metade do século XIX, temos 41%; na segunda metade, temos 23%; na primeira metade do século XX, temos 18%. Esses resultados são bastante interessantes, pois revelam que mesmo se tratando de uma modalidade escrita formal (jornal), a mudança de comportamento lingüístico é atestada, demonstrando que não são apenas cartas pessoais ou textos de peças teatrais, como os utilizados por Duarte (1995), os gêneros textuais capazes de apontar a mudança de um fenômeno lingüístico em uma língua. Os contextos discutidos em nosso trabalho indicam o caminho percorrido pelo PB para se tornar o que é hoje, uma língua de “sujeito nulo”, mas com propriedades DIFERENTES das conhecidas propriedades pro-drop estipuladas por Chomsky (1981), logo uma língua que gera grande polêmica e contribuições para o quadro gerativista.
  13. Tenani, L.E. ; Fernandes-Svartman, F.R. "Prosodic phrasing and intonation in neutral and subject-narrow-focus sentences of Brazilian Portuguese". In: Fourth Conference on Speech Prosody 2008, 2008, Campinas. Proceedings of Fourth Conference on Speech Prosody 2008. Campinas : RG/CNPq, 2008, p. 445-448.
  14. Trannin, Juliana “A sintaxe do infinitivo com verbos causativos na história do Português Europeu” XIV Seminário de Teses em Andamento (SETA), 17 a 19 de Novembro de 2008, IEL-UNICAMP.
    O objetivo deste trabalho é descrever e analisar a sintaxe das construções com os verbos causativos mandar, fazer e deixar com complemento infinitivo na história do Português Europeu. A escolha teórica-metodológica tem como base a gramática gerativa, especificamente o modelo de Regência e Ligação da Teoria dos Princípios e Parâmetros. Os dados são provenientes de vinte e seis textos de autores portugueses nascidos entre os séculos XVI e XIX, incluídos no Corpus Histórico do Português Tycho Brahe. A coleta e análise dos dados utilizarão os seguintes procedimentos: a) pesquisa em bibliografia pertinente; b) seleção do corpus; c) análise e interpretação dos dados. A partir dos trabalhos de Kayne (1975), Burzio (1986), Gonçalves (1999) e Martins (2006), serão focalizados fenômenos como marcação de Caso, posição do Sujeito e Subida de Clítico, no que diz respeito às três estruturas distintas em que os causativos podem ocorrer: fazer-Infinitivo (Kayne, 1975), Marcação Excepcional de Caso (ECM) e Infinitivo flexionado. A construção fazer-Infinitivo é caracterizada pela alteração da organização dos constituintes no domínio encaixado, em que o sujeito ocupa a posição final, depois do complexo verbal. A estrutura ECM, por outro lado, distingue-se pelo fato do complemento infinitivo apresentar a ordem SVO, com o sujeito precedendo o verbo infinitivo. Os verbos causativos também podem selecionar orações infinitivas flexionadas, que diferem das infinitivas simples pela marcação casual: nas primeiras, o sujeito encaixado é marcado por Nominativo pelo infinitivo flexionado e nas últimas, marcado por Acusativo pelo verbo finito da oração matriz. Martins (2006) relaciona o aparecimento do infinitivo flexionado em complementos oracionais de verbos ECM com outras mudanças, como a perda da obrigatoriedade da subida do clítico e o surgimento do elemento de negação no domínio infinitivo. A autora aponta como o século XVI como momento decisivo para a mudança, que envolve estruturas ambíguas provocadas por elipses em contextos de coordenação e orações infinitivas flexionadas independentes. Uma análise preliminar do corpus, no entanto, não indica uma comprovação desta hipótese. Os exemplos encontrados no que se referem às orações infinitivas flexionadas são sentenças ambíguas, que poderiam ser consideradas como estruturas ECM, pois o sujeito está na terceira pessoa e não há marcas distintivas entre as duas formas de infinitivo. É preciso considerar também a possibilidade de posposição do sujeito. Nesses casos, o sujeito do verbo matriz ocupa a posição intermediária entre os verbos e não há concordância com o infinitivo. Outra questão a ser abordada são os casos de constituintes marcados por caso dativo ocupando a posição intermediária no complexo verbal, típica de construções ECM. A hipótese levantada por Martins (2006) é a possibilidade de IP-scrambling e a existência de objetos diretos preposicionados. O propósito deste estudo é descrever as características da sintaxe dos verbos causativos que selecionam complemento infinitivo na gramática anterior à do Português Europeu Moderno (PE) e analisar as propriedades distintas da gramática que precede o PE no que se refere às construções causativas ECM, fazer-Infinitivo e Infinitivo flexionado. Além disso, pretende-se estudar, de uma perspectiva diacrônica, a evolução dessas construções para localizar uma possível mudança na gramática, comparando os resultados alcançados com outros já obtidos em relação ao PE.
  15. Trannin, Juliana Verbos causativos com complemento infinitivo na história do Português Europeu, IV Congresso de Estudos Linguísticos e Literários de Mato Grosso do Sul (CELLMS), 11 a 14 de Novembro de 2008, UEMS, Cassilândia - MS
    Este trabalho visa descrever e analisar as construções com os verbos causativos mandar, fazer e deixar que selecionam complemento infinitivo na história do Português Europeu. A análise será baseada na fundamentação teórica da gramática gerativa, especificamente, o modelo de Regência e Ligação da Teoria dos Princípios e Parâmetros. Os dados são provenientes de vinte e seis textos escritos por autores nascidos entre os séculos XVI e XIX, incluídos no Corpus Histórico do Português Tycho Brahe. A partir dos trabalhos de Kayne (1975), Burzio (1986) e Gonçalves (1999), serão analisados fenômenos como a Subida de Clítico, marcação de Caso e posição do Sujeito. O propósito é identificar as propriedades distintas da gramática que precede o Português Europeu Moderno (PE) no que diz respeito às estruturas causativas de Marcação Excepcional de Caso (ECM), fazer-Infinitivo (Kayne, 1975) e Infinitivo flexionado. Além disso, pretende-se estudar diacronicamente a evolução dessas construções para localizar uma possível mudança.

2007

  1. ABAURRE, M. B. & F. SÂNDALO. “Vowel deletion and reduction:acoustic clues of rhythmic organization in Brazilian and European Portuguese”. 2007. PAPI 2007- Phonetics and Phonology in Iberia. Universidade do Minho, Braga, Portugal, 25-26 de junho.
  2. ANDRADE, A. L. “Sobre o estatuto dos complementizadores preposicionais do Português”. In: V Congresso Internacional da Abralin, 2007, Belo Horizonte, 2007 (resumo publicado em V Congresso Internacional da Abralin: Caderno de Resumos. São Paulo: Contexto, 2007. p. 520-521.)
  3. ANDRADE, A. “A mudança na colocação pronominal em infinitivas preposicionadas do português clássico”. Congresso Nacional de Linguística e Filologia, 27 a 31 de agosto 2007, Rio de Janeiro. Cadernos do CNLF. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2007. v. XI. p. 19-19.
  4. ANDRADE, A. “Mudança paramétrica e subida de clíticos em Português Europeu” Encontro do GT de Teoria da Gramática – ANPOLL, 27- 28-9-2007.
  5. ANDRADE, A. “Mudança paramétrica e subida de clíticos em Português Europeu”, VIII Seminário internacional do projeto caipira.. , IEL/UNICAMP.3 a 4-12-2007.
  6. ANTONELLI, A. "Aspectos da Sintaxe de Posição do Verbo na História do Português Europeu." XIII SETA - Seminário de Teses em Andamento, 2007, IEL-UNICAMP.
  7. CAVALCANTE, S.R.O. “O sistema de anotação sintática em um Corpus eletrônico do português: propostas e desafios”, Mesa redonda: Linguística de Corpus e História da Língua portuguesa: propostas, resultados e desafios (coord. M.C. Paixão de Sousa.), V Congresso Internacional da Abralin, 28 de fevereiro a 3 de março 2007, Belo Horizonte.
  8. FERNANDES, F. “O sujeito pré-verbal focalizado informacionalmente em português: prosódia e posição sintática”; comunicação no Encontro do GT em Teoria da Gramática – ANPOLL, realizado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, nos dias 27 e 28 de setembro de 2007.
  9. FERNANDES, F. “Entoação e domínios prosódicos em sentenças pseudo-clivadas do português europeu (PE)”, comunicação no III Seminário Internacional de Fonologia, realizado de 09 a 13 de abril de 2007, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
  10. FERNANDES, F. & M.B. ABAURRE “Secondary stress, vowel reduction and rhythmic implementation in Brazilian Portuguese: a preliminary study”, comunicação no III Seminário Internacional de Fonologia (realizado de 09 a 13 de abril de 2007, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
  11. FROTA, S., C. GALVES & M. VIGÁRIO “Ler a fonologia: do português clássico ao português moderno” comunicação apresentada no XXII Encontro da APL, Universidade de Évora, 1-3 de outubro de 2007.
  12. GALVES, C. “A sintaxe de Fernão de Oliveira”, comunicação apresentada no Colóquio Fernão de Oliveira 500 anos, IEL-UNICAMP, 24-26 de setembro de 2007.
  13. GIBRAIL, A. “A restrição de licenciamento da posição interna à oração no contexto de mudança grammatical no português clássico a partir do séc. 18” XIII SETA - Seminário de Teses em Andamento, IEL-UNICAMP, 2007.
  14. GIBRAIL, A.. “A natureza V2 das estruturas de topicalização e tópico pendente do português clássico” V Congresso Internacional da Abralin, 28 de fevereiro a 3 de março 2007, Belo Horizonte.
  15. GIBRAIL, A.. Propriedades sintáticas V2 dos Romances medievais presentes no português clássico, 550 Seminário do GEL Universidade Paulista, Franca SP 26 - 28 de julho de–2007
  16. GRAVINA, A. "Diacronia e Contextos de Sujeito Nulo no PB", comunicação no 55º Seminário do GEL, Universidade Paulista ,Franca, 26 - 28 de julho de 2007.
  17. MENEZES, G. “O Paralelismo e a Colocação de Clíticos nas orações coordenadas no Corpus Histórico do Português Tycho Brahe”, Comunicação apresentada no V Congresso Internacional da ABRALIN, 28 de fevereiro a 3 de março 2007.
  18. NAMIUTI, C. “O Sistema de Anotação Morfológica em um Corpus Eletrônico do Português: Precisão e Eficiência na Busca e Seleção de Dados” Mesa redonda: Linguística de Corpus e História da Língua portuguesa: propostas, resultados e desafios (coord. M.C. Paixão de Sousa.), V Congresso Internacional da Abralin, 28 de fevereiro a 3 de março 2007, Belo Horizonte.
  19. PAIXÃO DE SOUSA, M.C. “O sistema de anotação de edição em um corpus eletrônico do português: controle de variantes e geração de versões paralelas”, Mesa redonda: Linguística de Corpuse História da Língua portuguesa: propostas, resultados e desafios (coord. M.C. Paixão de Sousa.), V Congresso Internacional da Abralin, 28 de fevereiro a 3 de março 2007, Belo Horizonte.
  20. SANDALO, F. “Clitic Placement in the history of European Portuguese” Mesa Redonda coordenada por Maria Bernadete Abaurre: “Perspectivas no Estudo da Fonologia Diacrônica do Português”, III Seminário Internacional de Fonologia, Porto Alegre, PUCRS, 9-13 de abril 2007.
  21. SANDALO & M. B. ABAURRE “Fatos de nasalidade como evidência para a representação da vogal /a/ no português como segmento debucalizado”. SIS-vogais. Universidade Federal da Paraíba, 15-17 de novembro 2007.

2006

  1. ANDRADE, A. L. “Formas de transmissão linguistica: um estudo de caso sobre documentos goianos” In: 54o. Seminário do Grupo de Estudos Linguisticos do Estado de São Paulo, 2006, Araraquara. 54o. Seminário do GEL - Caderno de Resumos. São Paulo : Ferrari, 2006. p. 299-299.
    O objetivo do presente artigo é descrever e analisar processos sintáticos e fonológicos encontrados em um pequeno corpus composto por cartas pessoais e escrituras de imóveis da região de Itaberaí-GO (antigo Corralinho), num total de treze documentos, escritos no período de 1841 até 1932. Chamou-nos à atenção a ocorrência de formas lingüísticas díspares, ora identificáveis a uma norma arcaizante, ora ao “português caipira”, distantes, portanto, do português culto brasileiro (PCB) de nossos dias. A presença de documentos representativos da língua padrão e não-padrão revela diferentes formas de transmissão dessas estruturas, ora pela norma culta, ora pela norma popular, que se por vezes se inter-relacionam.
  2. ANDRADE, A. L. . A sintaxe de clíticos em orações não-finitas do português clássico. In: 7o. Encontro do Círculo de Estudos Linguisticos do Sul, 2006, Pelotas. 7o. Encontro do CELSUL - Programação e Resumos. Santa Maria :Pallotti, 2006. p. 142-142.
    Os clíticos em contextos não finitos do português clássico podiam ocorrer em diversas posições, em próclise ou ênclise, tanto ao verbo finito matriz quanto ao verbo não-finito encaixado. O fenômeno chamado de alçamento de clítico refere-se ao licenciamento do clítico na oração matriz, o que suscita debates devido a sua dependência semântica ao predicado encaixado. Sua ocorrência se restringe a determinados verbos auxiliares em línguas de sujeito nulo. O estudo realizado teve como objetivo descrever os padrões de cliticização encontrados em textos do Português Clássico, especialmente no testemunho de Pero de Magalhães Gandavo - História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, publicado em 1576 e presente no Corpus Tycho Brahe - considerando, entre outras variáveis, a ocorrência de elementos intervenientes entre o verbo auxiliar e o verbo principal, tais como preposições, adjuntos e complementos prepostos. A partir dos dados obtidos, discuto a aplicação de diferentes propostas vinculadas ao quadro teórico da gramática gerativa, como as de Roberts (1997) e Cardinaletti & Shlonsky (2004), a primeira baseando-se no movimento de núcleos sintáticos, e a segunda, considerando duas posições para o clítico, sendo a posição oracional, mais alta, a que resulta no “alçamento”. Os resultados da pesquisa confirmaram a preferência pelo alçamento nos contextos relevantes, e apontou fatores que podem explicar a variação encontrada, como a relação com o fenômeno da interpolação do clítico.
  3. ANTONELLI, A. L. “Passivas Pronominais no Português Europeu: um Percurso de Mudança”. In: VII Encontro do Círculo de Estudos Lingüísticos do Sul - CELSUL, 2006, Pelotas. VII Encontro do Celsul - Programação e Resumos, 2006, 2006. p. 136-137.
    Dentro da perspectiva da gramática gerativa, Raposo & Uriagereka (1996) mostram que, no Português Europeu Moderno (PE), sentenças passivas pronominais (envolvendo o pronome se) são estruturas ativas. Embora se assemelhem às passivas perifrásticas (verbo ser + particípio) especialmente por apresentarem concordância entre o verbo e o objeto lógico, existem evidências de que, quando em posição pré-verbal, o sintagma objeto lógico dessas construções não ocupa a posição gramatical de sujeito [Spec, Infl], como ocorre nas passivas perifrásticas, mas sim uma posição periférica à esquerda associada a tópicos deslocados. Por sua vez, como mostra Naro (1976), no período medieval as passivas pronominais eram de fato construções passivas. Assim, surge a questão: quando as passivas pronominais teriam sido reanalisadas como estruturas ativas? Assumindo também o quadro teórico da gramática gerativa, sugiro que a reanálise ocorreu na passagem do Português Médio para o PE, na primeira metade do século 18, quando acontece uma mudança na sintaxe de posição do verbo, que consistiria na perda do fenômeno V2. Enquanto língua V2, haveria no Português uma mesma posição pré-verbal para o sujeito e para tópicos deslocados. Com a mudança para um sistema SV, sujeitos pré-verbais e tópicos deslocados passam a ocupar posições distintas, como realmente ocorre no PE. Nesse contexto, a reanálise das passivas pronominais em estruturas ativas acontece pois a posição gramatical que passa a ser reservada para o sujeito não pode ser compartilhada por tópicos. Para delimitar o momento em que as passivas pronominais são reanalisadas e comprovar a nossa hipótese, analisamos sentenças com o clítico se em textos de escritores nascidos entre 1542 e 1836. Em sintonia com a hipótese de trabalho, nossos resultados apontam para alterações significativas nos padrões de superficialização do objeto lógico de passivas pronominais e do sujeito de sentenças com se de valor não-passivo a partir do século 18.
  4. ANTONELLI, A. L. Construções com SE Passivo e a Alternância Ênclise/Próclise no Português Clássico. In: 54o. Seminário do GEL, 2006, Araraquara. Caderno de Resumos do 54o. Seminário do GEL, 2006. p. 299-300.
    Estudos a respeito da sintaxe de colocação de clíticos no Português Europeu têm atestado a existência de uma alternância ênclise/próclise do século 16 ao 19 em determinados contextos sintáticos, ao passo que, nesses mesmos ambientes, a ênclise é a colocação categórica no Português Europeu Moderno (cf. Martins 1994, Paixão de Sousa 2004, Galves, Britto & Paixão de Sousa 2005). Com relação ao período em que se observa a variação, Galves, Britto & Paixão de Sousa notam que a colocação enclítica em textos escritos por autores nascidos nos séculos 16 e 17 está fortemente relacionada quantitativamente ao uso do clítico “se”. Na verdade, baseadas em trabalho preliminar, as autoras argumentam que o efeito do clítico “se” na opção pela ênclise seria devido especialmente ao pronome clítico “se” de natureza passiva. Este paradigma, entretanto, não é verificado em obras de escritores nascidos a partir de 1700. A fim de verificar em que medida a natureza das construções com o clítico “se” passivo de fato afetaria a colocação de clíticos em favor da ênclise até o fim do século 17, analisei um conjunto de sentenças com o clítico “se” passivo extraídas de textos escritos por autores nascidos entre 1542 e 1836. Seguindo a proposta de derivação para a ênclise e a próclise tal como formulada por Galves, Britto & Paixão de Sousa, apresento evidências de que o clítico “se” passivo não constitui um fator que favorece a colocação enclítica nos séculos 16 e 17. Na realidade, conforme já defendido por Galves (2001/2003) e mesmo por Galves, Britto & Paixão de Sousa, a ênclise e a próclise correspondem a estruturas distintas nesse período, durante o qual a opção entre elas é determinada por fatores estilísticos e textuais, e, como mostro neste trabalho, não levando em consideração o fator tipo de clítico.
  5. CARNEIRO, Z. & C. GALVES, C. “Clitic-placement in the history of Brazilian Portuguese: a case of three-grammar competition”, 9th Conference on Diachronic Generative Syntax (DIGS 9), Trieste, 8-10 de junho de 2006.
    In private correspondence written by educated and non-educated Brazilian people during the 19th century, we find variation between enclisis and proclisis in all syntactic contexts. This departs from both modern Brazilian and European Portuguese (henceforth respectively BP and EP) and for Classical Portuguese (henceforth ClP). In this talk, we shall argue that this variation is the effect of a competition between those three grammars. By grammars, we understand I-languages generating different structures, potentially instantiated as identical utterances. We use the notion of Competition of grammars as initially introduced by Kroch (1994). The basis of the analysis is a corpus of letters written by Brazilian people born between 1750 and 1850 edited by Carneiro (2005). Additional data is drawn from other corpuses of Brazilian texts written in Brazil at the same period. Comparing her corpus with the authors of the Tycho Brahe Corpus born at the same time, Carneiro observes an increase of enclisis in V2 context that is parallel to what happens in Portuguese texts, with roughly a 50-year delay. The same result is obtained by Pagotto (1992). This shows that Brazilian 19th c. texts instantiate the competition between ClP and EP observed in the Portuguese texts from 1700 on (cf. Galves Britto & Paixão de Sousa 2005). But crucially, at the same time, we find evidence that the vernacular grammar, BP, is already active in written texts, since there are occurrences of proclisis in absolute first position, as in (2) above (7% of the cases for educated people and 15% for non-educated people), as well as non-ambiguous cases of AUX cl-PP, another Brazilian innovation. We thus find two opposite tendencies in the texts written in Brazil in the 19th century: on one hand, the increase of enclisis, which mimics the evolution of European Portuguese at this time, and, on the other hand, the presence of proclisis in previously impossible contexts, which attests the emergence of the BP grammar in written texts. This produces a mixture of data, which cannot be accounted for without using the notion of competition of grammars proposed by Kroch (1994). Furthermore, the data shows that such a competition can occur between more than 2 grammars.
  6. GALVES, C. “Gramática e variação: o caso da evolução da colocação de clíticos em português”, V Encontro Nacional de Língua Falada e Escrita, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), 20 a 24 de novembro de 2006 (mesa redonda “Variação em sintaxe” coordenada por Maria Denilda Moura).
    Nesta comunicação, argumentarei que há os dois tipos de variação sintática compatíveis com a Teoria de Princípios e Parâmetros: a (aparente) variação produzida por uma única lingua –I e a variação produzida pela competição de gramáticas (Kroch, 1994). Mostrarei que esses dois tipos são sucessivamente instanciados na história da colocação de clíticos em português europeu.
  7. GALVES, C. “A sintaxe dos clíticos”, V Encontro Nacional de Língua Falada e Escrita, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), 20 a 24 de novembro de 2006 (mesa redonda “Evidências para a periodização histórica do português europeu e do portuguê brasileiro,com base em fenômenos sintáticos”, coordenada por Ilza Ribeiro).
    A sintaxe dos clíticos, em particular a alternância ênclise/próclise e a sintaxe da interpolação, nos permitem redefinir uma periodização para o português europeu. Baseada no trabalho de Namiuti (2000, 2004, em progresso) para a interpolação e no trabalho de Galves Britto e Paixão de Sousa (2005) para a alternância ênclise/próclise, mostrarei que se podem definir 3 gramáticas na história da lingua, sendo que a gramática intermediária entre o português arcaico e o português moderno ultrapassa os limites tradicionais do chamado português clássico (cf. Galves, Namiuti e Paixão de Sousa, 2006).
  8. GALVES, C. & T. LOBO “A ordem dos clíticos em textos de africanos na Bahia oitocentista” Colóquio “Caminhos da Língua portuguesa: África-Brasil”, Unicamp, 6-9 de novembro de 2006.
    A sintaxe dos clíticos distingue fortemente a gramática do português brasileiro (PB) da do português europeu (PE) moderno. Embora já largamente estudado por sintaticicistas brasileiros e portugueses, a partir dos mais diversos corpora e também sob as mais diversas orientações teórico-metodológicas, a retomada deste tópico aqui se justifica pela singularidade do corpus analisado - atas escritas pora aficanos semiletrados na Bahia oitocentista. Sendo a história lingüística do Brasil marcada por um processo de mudança de língua, do qual resultou ser o PB a língua hegemônica, saber como se deu a aquisição do português como L2 por africanos é, pois, uma questão central, recolocada a partir desse aspecto nuclear da gramática, a sintaxe dos clíticos.
  9. GIBBON, D.; FERNANDES, F. R.; TRIPPEL, T. "A BLARK extension for temporal annotation mining". In: 5th International Conference on Language Resources and Evaluation (LREC'2006), Gênova. Proceedings of the 5th International Conference on Language Resources and Evaluation (LREC'2006), 2006, p.1600 - 1605.
  10. GRAVINA, A. “A Realização do sujeito e as ordens vs/sv na diacronia do PB” In: XII SETA -Seminário de Teses em andamento, 2006, Campinas. XII SETA - Seminário de Teses em Andamento. Campinas: Unicamp, 2006. v.vol.1. p.15.
    O trabalho a ser apresentado é um projeto de dissertação de mestrado que está em andamento na Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação da professora Dr.ª Charlotte Marie Chambelland Galves. O presente trabalho pretende analisar quantitativa e qualitativamente, através de um estudo diacrônico, a realização do sujeito no Português culto escrito no Brasil, em três tempos distintos: a) primeira metade do século XIX; b) segunda metade do século XIX; c) primeira metade do século XX. Pretende-se discutir a caracterização do PB quanto a duas propriedades das línguas pro-drop: a possibilidade de licenciar sujeito nulo e a possibilidade de ordem verbo-sujeito. Para efeito de análise serão coletados artigos de jornais que circularam no estado de Minas Gerais nos referidos períodos de séculos. Os dados levantados por esse corpus além de passarem por uma análise quantitativa, serão analisados qualitativamente, verificando em que ambientes sintáticos as propriedades aqui estudadas se encontram. Após tais análises, buscar-se-á explicar de que maneira ocorre a distribuição da ordem do sujeito e a realização desse no PB, tendo como suporte teórico para hipóteses e explicações os moldes da Gramática Gerativa.
  11. GRAVINA, A. “Estudo Diacrônico de Sujeito nulo no Português Brasileiro” In: XI Simpósio Nacional e I Simpósio Internacional de Letras e Lingüística, 2006, Uberlândia. Caderno de Resumos do XI Simpósio Nacional e I Simpósio Internacional de Letras e Lingüística, 2006. p.42 – 42.
    A representação do sujeito na oração no Português Brasileiro já foi objeto de inúmeros trabalhos. Na literatura lingüística o interesse tem sido, em certo número de trabalhos da Teoria Gerativa, voltado para duas propriedades do sujeito: a possibilidade desse ser nulo (em orações com tempo) e a inversão do sujeito (ordem VS). Trabalhos de alguns autores, como Duarte (1993; 1995) e Tarallo (1993), defendem que o PB teria perdido a possibilidade de licenciar o sujeito nulo, já outros, como os de NIcolau (1997), defendem que essa possibilidade nunca deixou de existir na língua. A fim de apresentar subsídios para essa discussão, foi efetuado um trabalho seguindo a metodologia laboviana, em que se descreveu e analisou, quantitativamente, a representação do sujeito pronominal no Português culto escrito no Brasil, em quatro tempos distintos: a) primeira metade do século XIX; b) segunda metade do século XIX; c) primeira metade do século XX e d) segunda metade do século XX. Para efeito de análise, foram investigadas cartas e artigos de opinião (todos assinados) que circularam em jornais, no Estado de Minas Gerais, nos referidos séculos. O primeiro tempo analisado foi constituído de cartas e artigos assinados retirados do periódico literário O Recreador Mineiro (projeto FAPEMIG/2004), que circulou na cidade de Ouro Preto e região no período de 1845 a 1848. O segundo tempo analisado foi constituído de dados retirados de cartas pessoais formais enviadas à Arquidiocese de Diamantina no período de 1870 a 1900. O terceiro tempo analisado foi constituído de dados retirados do jornal Estado de Minas que circulou em Belo Horizonte e região, no período de 1947 a 1949. Por fim, o quarto período foi constituído de dados retirados desse mesmo jornal nos anos de 1998 a 2000. A análise quantitativa em tempo real mostrou que não há indícios de mudança lingüística que envolva a representação de sujeito: se sujeito nulo ou se pronominal pleno na amostra avaliada. Dessa forma, tais resultados não corroboram hipótese de Tarallo (1993) e Duarte (1993, 1995) de que o PB estaria deixando de licenciar o sujeito nulo. Por outro lado, estão de acordo com resultados obtidos por Paredes da Silva (1988) e Nicolau (1994, 1997) que também apresentam altos índices de sujeito nulo no PB, em seus trabalhos. A partir dos resultados encontrados, o presente trabalho pretende elaborar um trabalho minucioso de lingüística histórica, no qual os principais objetivos serão analisar os ambientes sintáticos da presença/ausência do sujeito nesse corpus e detalhar a ordem VS e SV desses constituintes. Partimos da hipótese de que o PB seria uma língua de sujeito nulo diferente, pois não se iguala as condições de línguas denominadas pro-drop como o Português Europeu e nem a línguas denominadas não-pro-drop como a língua inglesa. Os dados levantados por esse corpus foram submetidos a uma análise quantitativa, o próximo passo será submetê-los a uma análise qualitativa, buscando explicar de que maneira a distribuição da ordem do sujeito e a realização desse no PB ocorre, tendo como suporte para hipóteses e explicações a Gramática Gerativa.
  12. PAIXÃO DE SOUSA, M. C. “Hypertext: conceptual and methodological frontiers” Seminário Internacional “Literaturas: del texto al hipertexto” Universidad Complutense de Madrid, Facultad de Filología Madri, 21 de setembro de 2006. Acessar online (access here).
    This paper investigates some lines into the debate on the conceptual dimension of "digital text" in general and "hypertext" in particular, by exploring this forms of writing from the material point of view. I shall consider that digital text production is a watershed in the history of text diffusion, rather than an incremental point in the evolution of text-production techniques. Digital text is not a new instrument, but a new process of information codification in written form. I shall also point out that text markup languages related to digital text processing represent a break-through methodological instrument for text studies in various fields.
  13. PAIXÃO DE SOUSA, M. C. & Thorsten TRIPPEL “Metadata and XML standards at work: a corpus repository of Historical Portuguese texts”. V International Conference on Language Resources and Evaluation (LREC 2006), Gênova, 22 a 28 de maio, 2006.
    This paper describes the restructuring process of a large corpus of historical documents and the system architecture that is used for accessing it. The initial challenge of this process was to get the most out of existing material, normalizing the legacy markup and harvesting the inherent information using widely available standards. This resulted in a conceptual and technical restructuring of the formerly existing corpus. The development of the standardized markup and techniques allowed the inclusion of important new materials, such as original 16th and 17th century prints and manuscripts; and enlarged the potential user groups. On the technological side, we were grounded on the premise that open standards are the best way of making sure that the resources will be accessible even after years in an archive. This is a welcomed result in view of the additional consequence of the remodeled corpus concept: it serves as a repository for important historical documents, some of which had been preserved for 500 years in paper format. This very rich material can from now on be handled freely for linguistic research goals.
  14. PAIXÃO DE SOUSA, Maria Clara “Padrões de Ordem Sujeito-Verbo do Português Médio ao Português Europeu Moderno”. V Encontro Nacional de Língua Falada e Escrita, Universidade Federal de Alagoas (UFAL), 20 a 24 de novembro de 2006.
    Este trabalho discute alguns resultados de um estudo sobre a sintaxe de textos portugueses representativos dos séculos 16 a 19, no qual o padrão de colocação de clíticos foi estudado em conjunto com os padrões de ordem Sujeito-Verbo. O estudo mostrou que a proporção relativa entre ênclises e próclises nos textos “clássicos” contrasta com a proporção atestada em textos medievais por Ribeiro (1995) – entretanto, o padrão de ordem Sujeito-Verbo dos textos clássicos aparece como mais próximo ao dos textos medievais que ao dos textos modernos pesquisados. Este resultado pode ser interpretado à luz de uma nova proposta para a delimitação dos ciclos gramaticais do português (apresentada em Galves, Namiuti e Paixão de Sousa, 2005), na qual a divisão tradicional dos períodos históricos do português é reformulada: o Português Europeu Moderno teria inicio no século 18, sendo antecedido por uma gramática que abrange os séculos 14 a 17. Essa gramática, a que denominamos Português Médio, se diferencia da gramática do PE centralmente pela posição ocupada pelos sujeitos pré-verbais; e de outro lado, se diferencia do Português Arcaico (séculos 12-13) fundamentalmente pela produtividade da construção de interpolação. A apresentação deste trabalho tem como objetivo primordial sugerir a relevância da continuidade de estudos comparativos entre textos dos três períodos (séculos 13-14, 15-17 e 18-19) quanto à posição de sujeitos.

2005

  1. FLORIPI, S. “Sintagma Possessivo e o Determinante no PE”, 54o seminário do Gel, Universidade Federal de São Carlos, 28-30/07/2005.
  2. GALVES, A., C. GALVES, N. GARCIA, C. PEIXOTO “Correlates of rhythm in written texts of Brazilian and European Portuguese’, Workshop de Fonologia Probabilística, Unicamp, 14/05/2005, e Rencontre Franco-Brésilienne de phonologie probabiliste et analyse statistique des données linguistiques, CNRS/Institut Henry Poincaré, Paris, 12/10/2005.
    We address the question of detecting fingerprints of rhythm in written texts. We study texts from 20th century Brazilian and Portuguese authors. In these texts we codify the syllables according to whether they carry main stress or not, and whether they are at the beginning of a phonological word or not. Additionally, periods are also marked. Modeling the sequences of symbols obtained with this codification as Variable Length Markov Chains, we estimate the patterns for each text. This probabilistic model discriminates European Portuguese from Brazilian Portuguese. Moreover, the model obtained for each language has a clear linguistic interpretation, as it captures structural features that have long been conjectured in the literature.
  3. GIBBON, D.; FERNANDES, F.R. "Annotation-mining for rhythm model comparison in Brazilian Portuguese". In: Interspeech'2005 - Eurospeech - 9th European Conference on Speech communication and Technology, 2005, Lisboa. Proceedings of Interspeech 2005, 2005, p. 3289 - 3292.
    Speech rhythm has been investigated from phonetic, phonological and signal processing perspectives, leading to a wide range of non-comparable methodologies. We assume that this is because speech rhythm is an emergent phenomenon (Emergent Rhythm Theory), due to many ‘hidden’ physiological and other factors, and that specialists make different selections from these factors. We also claim that models proposed so far are relatively arbitrary, and that their formal and empirical similarities and differences are not clarified. Although we accept Emergent Rhythm Theory, we acknowledge that it is currently too complex and inexplicit to be falsifiable, and concentrate on more highly constrained Physical Rhythm Theory approaches. We propose a set of explicanda for Physical Rhythm Theories, and formally and empirically compare selected single-parameter physical rhythm measures. We find that the selected measures show a very low degree of similarity and outline the steps necessary to improve the situation.
  4. PAIXÃO DE SOUSA, M.C. “A anotação da variação de grafia no Corpus histórico do português Tycho Brahe: frentes abertas para o estudo do léxico”, V Encontro de Corpora, Universidade Federal de São Carlos, 24 -25/11/2005.
    Nesta comunicação apresentaremos alguns aspectos do trabalho da segunda fase da preparação de textos para o Corpus Histórico do Português Tycho Brahe, salientando sua repercussão na exploração desse Corpus para estudos do léxico. Na fase atual do Corpus (2005-2008), utilizamos edições de época dos anos 1500-1900, com base em exemplares fac-similados. Os textos são fielmente transcritos, e posteriormente editados, sobretudo modernizando-se as grafias (com o objetivo imediato de facilitar o tratamento do material pelas ferramentas automáticas de análise morfológica e sintática). O trabalho de transcrição e edição está compreendido no projeto "Memórias do Texto", e tem como princípio a plena recuperabilidade das intervenções realizadas nos originais, graças a uma técnica de anotação via linguagem XML. Isso garante o registro controlado das variações de grafia, e pode repercutir em duas frentes de pesquisa. No plano computacional, pode fundamentar o desenvolvimento de ferramentas de análise lingüística automática (particularmente etiquetadores morfológicos) que suportem variações de grafia. No plano lingüístico, potencializa a exploração dos textos do corpus por estudos lexicográficos – por exemplo, ao possibilitar a geração de dicionários de abreviaturas ou de variações de grafia para o Português Clássico.
  5. PAIXÃO DE SOUSA, M.C. “Memórias do Texto”, comunicação na mesa-redonda ‘Bibliotecas e bancos de dados digitais de literatura’, II Simpósio Nacional de Literatura e Informática. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade de Brasília (UnB), Florianópolis, outubro de 2005.

Fase 1 (1998-2004)

  1. ABAURRE, M.B. “Aspectos da organização rítmica em português europeu e brasileiro: Uma análise do acento secundário baseada em hierarquia de restrições”, (PPT)
  2. BRITTO, H. “De volta à sintaxe de Matias Aires” - IV workshop do Projeto Tematico, agosto, 2002 (PPT)
  3. BRITTO, H. & FINGER, M. “Constructing a Parsed Corpus of Historical Portuguese” (resumo)
  4. BRITTO, H., GALVES, C. & PAIXÃO DE SOUZA, M.C. “Clitic Placement in European Portuguese: Results from the Tycho Brahe Corpus” (preliminary version).
  5. CASSANDRO, M., COLLET, P., DUARTE, D., GALVES, A. & GARCIA, J. “An universal linear relation among acoustic correlates of rhythm”.
  6. CAVALCANTE, S.R. “O SE com infinitivo em PE e PB” (PPT)
  7. COLLET, P. “Three questions of a linguist to a Gibbsian” (PPT)
  8. DUARTE, D. & GALVES, A. “Modelagem estocástica do ritmo na fala” (Roteiro de Curso)
  9. DUARTE, D., GALVES, A., GALVES, C. & GARCIA, J. “Sonority as a Basis for Rhythmic Class Discrimination” (PPT)
  10. DUARTE, D., GALVES, A., GARCIA, N.L. & MARONA, R. “The statistical analysis of acoustic correlates of speech rhythm” (PPT)
  11. FROTA, S., MARTINS, F. & VIGÁRIO, M. “European and Brazilian Portuguese Rhythm: acoustic and perceptual evidence” (PPT)
  12. GALVES, A. & GARCIA, J. “Automatic identification of vocalic intervals in speech signals”, (PPT) (com Flaviane Fernandes, Janaisa Viscardi e Ulrike Gut)
  13. GALVES, A., GALVES, C., GARCIA, N.L. & PEIXOTO, C. “Modelagem de contornos acentuais do português através de cadeias de Markov de alcance variável” (Relatório de Pesquisa)
  14. GALVES, C. “Clitic Placement in the History of Portuguese and the Syntax-phonology interface”, presented at 27th Penn Linguistics Colloquium.
  15. GARCIA, J. “VOCALE: Um Algoritmo de Identificação de Intervalos Vocálicos no Sinal Acústico de Fala” (PPT)
  16. MENEZES, G. Poster apresentado no IV Workshop do Projeto Temático - agosto, 2002 (ppt)
  17. PAIXÃO DE SOUZA, M.C. Comunicação ao II Seminário Integrado de Língua Portuguesa - UERJ - outubro, 2002 (PPT)
  18. PAIXÃO DE SOUZA, M.C. Comunicação ao III Congresso Internacional da ABRALIN - março, 2003 (PPT)